Viaduto do Eixão não precisa ser demolido, afirma engenheiro do Crea


Em uma entrevista coletiva no Palácio do Buriti, na manhã desta quinta-feira (8), o engenheiro da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Almeida, disse que o governo do Distrito Federal não deve demolir o que sobrou do viaduto do Eixão, que desabou parcialmente no dia 6 de fevereiro. Na quarta (7), a Universidade de Brasília (UnB), encarregada pelo GDF de fazer um laudo da estrutura, recomendou que o viaduto fosse completamente derrubado.
O governo afirmou que ainda não recebeu o documento da UnB. Mas o professor da USP, chamado pelo Conselho Regional de Engrenharia (Crea), defendeu a decisão anunciada pelo GDF na sexta-feira (2) de revitalizar – e não demolir completamente – o viaduto, aproveitando partes da estrutura.
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Para Almeida, "o problema no Eixão é entre a base do viaduto e a laje, que infiltrou água e foi corroendo o cabo", e não há necessidade de demolição.
"Diante de uma ação que leve a um desabamento, a estrutura tem que fissurar exageradamente para que se tome providências. Essa não se deformou, desabou em questão de segundos.”

 Para o diretor do DER Márcio Buzar, há um consenso que é demolir todos os balanços que compõem a estrutura do viaduto. "Mas afirmamos que aproveitaríamos as fundações. Quanto ao tabuleiro, vamos ver a viabilidade financeira da recuperação”, disse Buzar.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) também defendeu que o viaduto não seja demolido. “Nós não podemos entrar no mérito da opinião da UnB, mas hoje o Crea tem convencimento, por meios técnicos e estudos de Pedro Almeida, que é viável a recuperação“, disse a presidente do conselho, Fátima Ribeiro.
Em fevereiro, a posição do Crea era outra. Um dia após o desabamento, o conselho mostrou um relatório de 2009 onde pontuava a necessidade de o GDF tomar "providências imediatas" em relação à "condição patológica" do viaduto que está sobre a Galeria dos Estados, na região central de Brasília. O ponto citado era exatamente onde parte da estrutura ruiu.
Nesta quinta, a presidente do Crea justificou que a análise logo após o acidente foi feita "a olho nú", sem estudos mais aprofundados.
A UnB não compareceu à entrevista convocada pelo GDF, mas o governo disse que vai “levar em consideração” o relatório da Universidade de Brasília antes de tomar a decisão final sobre as obras.

Muito além do aceitável

A análise feita pela UnB se baseia em cálculos complexos que, ao final, geram um "índice de risco". Segundo o relatório, um resultado 100 já representaria risco elevado de queda. No viaduto da Galeria dos Estados [Eixão Sul], o nível apurado foi de 240 – 140% a mais que o nível crítico.
De acordo com o relatório, a queda do viaduto foi causada por uma rachadura de 1 cm na estrutura de uma das lajes de sustentação. "A convergência dos resultados do estudo indica a necessidade de demolição", apontou o professor Marcos Honorato.

Próximas etapas

O GDF promete revitalizar o viaduto do Eixão até o final de 2018. Segundo o diretor do DER, Márcio Buzar, o custo total da obra deve ser definido quando o projeto final ficar pronto. O processo licitatório deve ser lançado em um mês. A verba, de R$ 50 milhões, já foi disponibilizado pelo GDF para a reforma do viaduto e de outras obras.


FONTE:G1 MUNDO

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