'Quero apresentar Claudio Santoro', diz diretor de longa sobre maestro brasileiro




Um dos maiores nomes da música erudita contemporânea no mundo, o amazonense Claudio Santoro "não é muito conhecido" no Brasil, segundo o cineasta Johnny Howard, que dirigiu o documentário sobre a trajetória do maestro, “Santoro – O homem e sua música”.
O filme foi finalizado em 2015 e indicato ao Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Naquele ano, ganhou o Troféu Câmara Legislativa nas categorias de longa-metragens de "melhor direção", "melhor filme" e "melhor trilha musical". Nos cinemas, o documentário estreou nesta quinta-feira (8) e fica em cartaz até dia 21 de março.
Santoro foi autor de cerca de 600 obras e fundador da Orquestra Sinfônica de Brasília, que carrega o nome dele e, hoje, está sob a batuta de Claudio Cohen. Ele também foi também responsável pela criação dos departamentos de música, artes e teatro da Universidade de Brasília.

Na época, Santoro era integrante do Partido Comunista e titular do Departamento de Arte, posto que assumiu a convite de Darcy Ribeiro para estruturar todos os cursos de humanidades da universidade. Os de ciência e tecnologia ficaram sob a responsabilidade do engenheiro e físico Roberto Aureliano Salmeron.

Fase experimental

A pausa forçada na militância contra a ditadura, em contrapartida, possibilitou uma fase de experimentação na carreira musical. Foi no período de exílio que o maestro adentrou a música eletrônica.
“Ele dizia pros filhos que tinha certas coisas que ele sabia que não ia conseguir tirar de uma orquestra. Montou um estúdio em casa e fez coisas maravilhosas”, disse o diretor do filme. “As músicas eletrônicas dele são altamente elogiadas no mundo todo.”

Quando voltou ao Brasil, decidiu “parar com esse negócio de vanguarda”, contou Johnny Howard. “Ele queria fazer coisas mais populares e entrou numa fase nacionalista que não durou muito tempo. Logo voltou pro dodecafônico, incorporando essa fase populista.”
Na "terra brasilis", Santoro optou por desembarcar em Brasília e retomar as atividades que havia inaugurado na UnB. A “ficha criminal”, no entanto, dificultou a reinserção do maestro no mercado musical, fora da academia. “Ele poderia ter voltado para o Rio de Janeiro ou São Paulo, onde teria muito mais projeção, mas escolheu Brasília”, contou Howard.

Prodígio aos 12

Ainda criança, aos 12 anos, Claudio Santoro foi considerado um “menino prodígio” no violino, segundo o diretor do documentário. Aos 15, ele ganhou uma bolsa para estudar no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro. Lá, se formou aos 17 anos e começou a estudar composição.

Santoro foi o principal aluno do alemão Hans-Joachim Koellreuter. O musicólogo, compositor e professor mudou-se para o Brasil em 1937, no auge da ascensão nazista, e tornou-se um dos nomes mais influentes da música erudita no país.
Foi por enxergar o potencial de Santoro que o professor alemão abriu uma turma de dodecafonismo, “que era o que estava em voga na música contemporânea da época”, explicou Johnny Howard. “O Claudio era dodecafônico naturalmente, sem nem saber o que era isso.”

FONTE:G1 MUNDO

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