Professores presos em operação no DF 'não tinham conhecimentos básicos em português', diz polícia



O coordenador da megadelegacia voltada para o combate à corrupção, ao crime organizado e à sonegação fiscal no Distrito Federal, Fernando César Costa, afirmou que algumas das nove pessoas recém-nomeadas na Secretaria de Educação, presas na manhã desta quarta-feira (28) na Operação Magister, “não tinham conhecimento básico da língua portuguesa”.
“Quando realizamos os mandados de busca e apreensão, analisamos escritos e manuscritos dessas pessoas e verificamos que elas não têm formação básica em língua portuguesa para que fossem aprovadas em concursos públicos”, disse o delegado.
A Polícia do Distrito Federal prendeu sete professores e dois técnicos administrativos – todos eles convocados em fevereiro deste ano – durante a terceira fase da Operação Panoptes, intitulada Magister, que investiga a chamada "máfia dos concursos".
Eles são suspeitos de terem comprado a aprovação em concursos. Segundo a Polícia Civil, ainda existe a possibilidade de que o grupo tenha comprado diplomas falsos.

Segundo Fernando César Costa, duas pessoas continuam foragidas. A defesa de uma delas afirmou que o cliente se apresentará ainda nesta quarta. A outra, Paula Vitor Bueno, apresentou endereços falsos e continua na mira da polícia.
Os mandados de busca e apreensão foram executados em Brazlândia, Gama, Santa Maria, Guará II, Riacho Fundo I, Taguatinga, Cruzeiro Novo, Mansões Entrelagos e Núcleo Bandeirante, no DF, além de Valparaíso, Formosa e Cristalina, municípios de Goiás.

Como funcionava?

Segundo a Coordenação de Repressão ao Crime Organização (Cecor), que conduz as investigações, o grupo criminoso cobrava cerca de 20 vezes o valor do salário que os "candidatos" ganhariam como professores, por exemplo.
Foram identificadas quatro modalidades de falsificação. Em uma delas, o candidato usava um ponto eletrônico (espécie de fone de ouvido) para receber instruções sobre o gabarito.
Em outra, o candidato deixava aparelhos celulares em pontos diferentes do local de prova, como o banheiro, para consultar as respostas. Os agentes identificaram, ainda, o uso de identidades falsas para que uma pessoa se passasse por outra.
O esquema seria liderado por Hélio Ortiz, preso preventivamente na primeira fase da Panoptes, ao lado de Antônio Alves Filho e de Ricardo Silva do Nascimento. Este último era funcionário da banca examinadora Cebraspe (antigo Cespe) e, segundo a polícia, responsável por identificar as provas marcadas e preencher os gabaritos.
A Polícia Civil informou que as investigações continuarão e que, "no decorrer de 2018, irá prender candidatos que fraudaram pelo menos 12 concursos no Distrito Federal".

Dez meses de investigação
As investigações da Operação Panoptes começaram em maio de 2017, a partir de denúncias de que fraudes estariam sendo cometidas no concurso do Corpo de Bombeiros do DF. Na época, a Polícia Civil identificou duas pessoas que tentaram burlar o exame.

Meses depois, os investigadores concluíram que as tentativas de fraude ocorreram em praticamente todos os concursos recentes e de anos anteriores – inclusive enquanto a operação já estava em curso.

Um exemplo é o concurso da Câmara Legislativa, que seria realizado em dezembro do ano passado. O grupo também tentou burlar o exame da Terracap para cinco candidatos, mas nenhum deles conseguiu a vaga, segundo o diretor financeiro do órgão, Renato Brown.

Segundo a Polícia Civil, qualquer pessoa podia contratar os serviços do grupo criminoso. Caso a vaga fosse para nível superior e o candidato não tivesse graduação, a quadrilha também forjava o diploma.


FONTE:G1 MUNDO

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