Pais passam madrugada na fila por atendimento em hospital infantil do DF


Famílias de pacientes do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), na Asa Sul, reclamaram de falta de atendimento e longa espera na manhã desta segunda-feira (12). Pais de algumas crianças aguardaram toda a madrugada sem saber se conseguiriam atendê-las – em alguns casos, as famílias foram à unidade após não terem encontrado médicos disponíveis em outros hospitais da rede pública do Distrito Federal.
Mesmos casos urgentes ficaram sem atendimento durante horas. O vidraceiro Renato Melo virou a noite no hospital sem saber se o filho, com 39 dias de vida, conseguiria atendimento. Ele relatou que o bebê deu entrada na unidade à 1h30 com engasgos e febre alta. Até as 9h30, nenhum médico havia atendido a criança.
“É um descaso muito grande. E não dão orientação nenhuma. Não dizem qual hospital temos de procurar nem o que fazer com a criança. Não vou embora daqui até meu filho ser atendido. Se ele engasgar em casa, o que eu vou fazer?”, questionou.
Segundo familiares presentes no hospital, os recepcionistas disseram que só haveria atendimento para casos de emergência. No caso do bebê de Renato, a triagem o colocou na classificação de risco “amarela”, uma posição abaixo do que demandaria emergencial.
Em nota enviada pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal  a direção do Hmib alegou “alta demanda no pronto-socorro durante o fim de semana”. A pasta também disse que o atendimento “não deixou de ser feito por falta de médicos”, mas porque “a demanda foi maior que a capacidade física instalada”. O Hmib, segundo a secretaria, dispõe de 50 leitos de internação, 20 deles no pronto-socorro.

Casos graves

A alta demanda fez com que suspeitas de quadros graves fossem dispensadas pela equipe do hospital. A filha de 7 anos de Marleide Rodrigues, moradora do Recanto das Emas, se queixava de fortes dores de barriga às 4h30. Quando passou pela triagem, às 9h, os médicos diagnosticaram suspeita de apendicite ou infecção intestinal.
“A gente não recebe nenhum retorno, não falam para onde devemos ir nem quando vamos ser atendidos”, reclamou Marleide. Ela relatou ter procurado os hospitais regionais de Ceilândia e Samambaia, mas não conseguiu atendimento.

Sem saber aonde ir

Assim como Marleide, outros pais contaram que procuraram a unidade da Asa Sul após darem de cara com a porta fechada em outras pediatrias de hospitais públicos.
O engenheiro civil Fernando Nunes afirmou ter ido aos hospitais regionais de Taguatinga e de Ceilândia procurando atendimento para o filho de 4 meses. Ele estava gripado e tendo convulsões. Chegando ao Hmib, recebeu a resposta de que não receberia atendimento.

A estudante Karina Regina contou que estava desde a noite sexta-feira à espera de um atendimento para o filho de 2 meses. Ela foi ao Hospital Regional de Taguatinga, de onde os médicos encaminharam a criança ao Hmib para investigar um cisto no peito.
“Cheguei aqui [ao Hmib] às 5h e me mandaram voltar ao HRT. Me sinto desprezada. Ninguém ajuda meu filho. O que ele tem pode ser grave”, disse.
A Secretaria de Saúde afirmou que a demanda “por pronto atendimento em pediatria aumenta em 40% nos meses de março e abril devido à circulação sazonal dos vírus respiratórios, que atingem de forma mais impactante a população pediátrica” e apontou que trabalha “para nomear novos pediatras para reforçar as unidades de pediatria dos hospitais da rede, diminuindo a sobrecarga do Hmib”.

Problemas no Hmib

Em 2017, dois casos de falta de estrutura no Hmib chamaram a atenção das autoridades de saúde pública do DF. Em janeiro do ano passado, os partos na unidade chegaram a ficar interrompidos. A pior crise, no entanto, ocorreu cinco meses depois, quando quatro bebês internados na UTI do hospital morreram.

FONTE:G1 MUNDO

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