Mulheres do DF sofrem mais com desemprego e cargos precários, diz estudo




Apesar de Brasília ser o único lugar do país onde mulheres ganham mais do que os homens, a situação delas no mercado de trabalho piorou em 2017, segundo dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Pesquisa de Emprego e Desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O rendimento das mulheres no Distrito Federal subiu 1,2% entre 2016 e 2017, mas o tempo de procura por emprego é quase um mês maior. Elas demoram em média 50 semanas para encontrar uma vaga – praticamente um ano inteiro –, enquanto a espera para os homens é de 46 semanas.

A taxa de desemprego entre as mulheres subiu de um ano para o outro. Em 2016, 19,7% estavam desempregadas. No ano passado, o índice chegou a 21,1%.
Além disso, elas são minoria no mercado de trabalho: entre as pessoas ocupadas, 47,3% são mulheres; 52,7%, homens.

Serviço público

O setor no qual as mulheres sofreram maior retração é o serviço público. O número de nomeações caiu 2,6% entre um ano e outro. Os cargos que receberam mais profissionais mulheres foram os de empregadas domésticas mensalistas e diaristas, com 6% e 16% de aumento, respectivamente.
A coordenadora de pesquisas da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Adalgiza Lara, afirma que os dados são preocupantes. “A ocupação cresceu de forma precária para a mulher, elas têm mais dificuldade pra se inserir no mercado, mesmo com mais escolaridade”, diz. De acordo com o Dieese, entre 2012 e 2017 o percentual de mulheres com nível superior saltou de 29% para 37%.
No caso dos homens, a maioria deles procurou o serviço autônomo: a participação deles neste mercado cresceu 19,9%. Eles também conseguiram mais cargos com carteira assinada, com aumento de 4,2%.
A taxa de ocupação delas também é inferior à dos homens. O estudo aponta que 59,9% das mulheres estão na população economicamente ativa – ou seja, empregadas ou buscando emprego. Entre os homens, o número é de 74,2%.
Os papeis de gênero impostos às mulheres interferem no mercado de trabalho, alerta a diretora de estudos sociais da Codeplan, Ana Maria Nogales. “Muitas não estudam nem trabalham porque precisam dar conta sozinhas das tarefas domésticas, há uma divisão desigual.”
Mais de 80% das mulheres empregadas estão na área de serviços. Outros 15,2% trabalham no setor de comércio, enquanto a indústria representa 2,7% da mão de obra feminina.


FONTE:G1 MUNDO

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