Hospital de Base suspende cirurgias por falta de ar-condicionado



O Hospital de Base, a maior unidade da rede pública de Brasília, suspendeu as cirurgias agendadas porque o ar-condicionado não está funcionando há 13 dias. Apenas procedimentos de emergência são realizados, segundo o governo. Médicos alertam para a proliferação de bactérias com ausência de refrigeração.
O comunicado sobre a interrupção do serviço foi divulgado pela secretaria na última quinta-feira (22) – a justificativa é "falta de manutenção". Desde então, passados quase quatro dias, o GDF ainda não havia informado quantos pacientes deixaram de ser atendidos.
"O controle da temperatura favorece a manutenção dos equipamentos. E, também, se eu tenho um ambiente com calor exagerado, vai servir de meio de cultura para algumas bactérias", afirmou a infectologista Joana D'arc Gonçalves. "Além disso, quando as pessoas abrem as janelas, as portas, estão favorecendo a entrada de vetores, como moscas."
O Instituto Hospital de Base informou que o reparo do ar-condicionado "está em andamento" e deve ser concluído nesta quarta (28)

Servidores do Instituto Hospital de Base disseram à TV Globo que, quando há muitos pacientes na fila de espera da enfermaria, as portas ficam abertas para deixar o ar circular. Em alguns setores do hospital, as pessoas tentam amenizar o calor com ventiladores.

Para presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde, Marli Rodrigues, a falha na manutenção dos aparelhos é reflexo de uma "falha na gestão". "Hoje é no [Hospital de] Base, amanhã é em outra regional", disse à TV Globo.
"Hoje é ar-condicionado, amanhã são medicações, são equipamentos, são lençóis. Enfim, os problemas eles não acabam, porque a gestão não começa."

Ar-condicionado

A falta de manutenção dos equipamentos de ar-condicionado nas unidades públicas de saúde do DF é um problema recorrente desde, ao menos, 2014. Naquele ano, o Hospital Regional de Taguatinga chegou a registrar 29º C. Segundo um funcionário, cerca de 30 cirurgias tiveram de ser canceladas

No ano seguinte, o mesmo problema voltou a ocorrer no hospital. Desta vez, a temperatura subiu para 30º C e o número de procedimentos cancelados, para 60.
Em 2016, as cirurgias também foram interrompidas no Hospital Regional do Paranoá por conta de aparelhos de ar condicionado quebrados. A unidade chegou a funcionar durante uma semana sem refrigeração.
A questão chegou a afetar a UTI neonatal do Hospital Regional de Sobradinho, onde bebês recém-nascidos foram mantidos durante cerca de um mês dentro de incubadoras com a temperatura ambiente desregulada.

FONTE:G1 MUNDO

Nenhum comentário:

Postar um comentário