Fórum Mundial da Água: em cinco dias de atividades, evento reúne 97 mil em Brasília




Após uma semana de atividades, o 8º Fórum Mundial da Água chegou ao fim, na manhã desta sexta-feira (23). Com o tema "Compartilhando Água", a edição de Brasília, primeira no Hemisfério Sul, mobilizou um público de 97,1 mil pessoas. A expectativa é chegar a mais de 100 mil até o fim do dia.
Ao todo, foram cinco dias de debates com lideranças de 172 países. As principais mesas ocorreram no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, espaço que reuniu a maioria do total de 300 painéis realizados ao longo do evento
O 8º Fórum ocupou também outros espaços da cidade, com atividades esportivas e culturais na Orla do Lago Paranoá, mostra de cinema no Cine Brasília e atividades ligadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável no Planetário. A Vila Cidadã, com atividades gratuitas, também foi palco de diversas atrações relacionadas à água.
A sessão de encerramento, nesta sexta (23), foi marcada pela divulgação de duas declarações elaboradas no fórum: a Declaração de Sustentabilidade e os Compromissos Parlamentares. Os documentos se juntaram a outras quatro declarações que resultaram do evento.
O texto sobre sustentabilidade chamou a atenção para a situação atual das políticas sobre água. De acordo com o documento, as ações no mundo "não estão sendo suficientes" para alcançar os objetivos da Metas de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
A declaração propõe, ainda, a prevenção de conflitos, a diplomacia da água e alianças internacionais como condições para a universalização da água e dos saneamento básico.
Em julho, o texto será levado ao Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que acontece nos Estados Unidos. A ideia é garantir alianças cooperativas, reformas hídricas e inovações financeiras, dizem os organizadores

Compromissos parlamentares

Outro documento apresentado nesta sexta, durante a cerimônia de encerramento do fórum, foi o "Compromisso Parlamentar". A elaboração do conteúdo teve a participação de 150 deputados e senadores de 40 países. Ainda neste ano, a declaração será enviada a parlamentos de todo o mundo.
A apresentação do manifesto foi feita pelo senador brasileiro Jorge Viana (PT/AC). O documento estabelece objetivos a serem alcançados, como a conquista do "saneamento como direito fundamental humano". A declaração propõe ainda a criação de mais leis que possam "garantir políticas públicas de uso eficiente da água e combate ao desperdício", explicou.

Versão brasileira

Esta edição do Fórum Mundial, em Brasília, foi marcada por ineditismos. Esta é a primeira vez que o evento tem a participação efetiva de membros do Poder Judiciário. Nesta semana, juízes e promotores elaboraram a Carta de Brasília. O documento apresenta dez diretrizes para o reconhecimento do acesso à água como direito fundamental.
O documento elaborado servirá para orientar magistrados de todo o mundo no julgamento de casos relacionados ao acesso da população à água. Entre outros princípios, a carta reconhece os recursos hídricos como bem de interesse público e trata da função ecológica da propriedade.
Além disso, esta também é a primeira vez, segundo os organizadores, que o evento garante a participação de jovens – de até 35 anos – em todas as mesas de discussões do evento.
Durante a cerimônia de encerramento, Tatiana Silva, uma das jovens delegadas do Conselho Mundial da Água no Brasil falou sobre a diversidade de ideias no evento, mas sugeriu a “inclusão de mais pessoas em situação de vulnerabilidade” no evento. “Precisamos fazer esse ambiente ainda mais diverso”, afirma.

Principais temas

Ao longo de cinco dias de debates, o fórum levou para as mesas de discussões temas como saneamento e direito à água. A situação de rios brasileiros, como o da bacia do Rio Doce também foi lembrada.
Os dois últimos grandes desastres ambientais brasileiros, da barragem de Mariana, em 2015, e o de Barcarena, no início de março, foram lembrados em, pelo menos, cinco painéis realizados no primeiro dia do fórum.
Na mesa "Conectando Água e Clima", o professor da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion questionou o motivo das grandes empresas "trabalharem de forma correta em seus países", e quando instaladas no Brasil, “não trabalharem corretamente”.
A referência, segundo o pesquisador, é ao vazamento de depósitos darefinaria norueguesa Hydro, que contaminou rios em Barcarena, no Pará. O pronunciamento no fórum acontece na mesma tarde em que a empresa emitiu um comunicado oficial no site assumindo que descartou água não tratada no rio Pará.
Já na quarta (21), fora do espaço do fórum, integrantes do Greenpeace, organização internacional que atua em defesa do meio ambiente, protestaram em frente à Câmara dos Deputados contra um projeto de lei que pretende alterar o licenciamento ambiental vigente. A votação deve ser em abril.
Na calçada de acesso ao Anexo II da Casa, um homem sujo de lama estendido no chão interrompia a passagem dos servidores. Uma faixa colocada atrás dele dizia: “Maia, não suje suas mãos”, em referência ao presidente da Casa, Rodrigo Maia.
A intervenção faz alusão ao rompimento da barragem de Fundão, desastre ambiental que afetou principalmente a região de Mariana (MG), em 2015.

Fórum Mundial 2021

Na cerimônia de encerramento, o Conselho Mundial da Água – organizador do fórum – também "passou o bastão" para a delegação do Senegal. O país da África Ocidental será a próxima nação a sediar o encontro. O 9º Fórum Mundial da Água está marcado para 2021, na cidade de Dacar.
De acordo com um jornal local, Le 360 Afrique, apenas 4% das aldeias do país – do total de 400 - estão ligadas à rede de água senegalesa (SDE). O número pode ser considerado significativo já que as áreas rurais do país abrigam 67% da população do Senegal.
Essa situação pode ser explicada, segundo disse ao veículo local, o ex-oficial de comunicação da Companhia Nacional de Água do Senegal (Sonees), Momar Seyni Ndiaye, pelo fato de o abastecimento de água obedecer a várias "razões" de rentabilidade”, o que causaria esse "desequilíbrio que priva grande parte da população desse precioso líquido", explica.

Tecnologia a favor da água


Aplicativos, tecnologias e programas de última geração usados na gestão sustentável da água, em todo o mundo, também foram amplamente destacados nesta 8ª edição do Fórum Mundial da Água, em Brasília.
Um dos exemplos é a plataforma desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB). No painel sobre tecnologia, na quarta (21), os especialistas mostraram ao mundo o sistema de monitoramento das águas, via satélite, que foi usado para avaliar a qualidade de rios brasileiros, como o da bacia do Rio Doce, em Minas Gerais.

FONTE:G1 MUNDO

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