Família de bordadeiras expõe no Museu Nacional, em Brasília




Uma família formada por várias gerações de bordadeiras mostra a arte dos fios no Museu Nacional, em Brasília. A exposição "Entre Rios, Entre Nós" retrata a relação entre a sociedade e a água. Bordados de mulheres de várias partes do país ficarão expostos até o dia 1º de abril, com entrada gratuita.
O projeto é do grupo Matizes Dumont, formado por Antônia Dumont, suas filhas, netas e bisnetas. O grupo surgiu há trinta anos e se tornou conhecido pela delicadeza dos bordados. Além de comercializar o trabalho, o Matizes desenvolveu projetos sociais com pelos menos 25 mil pessoas e usou o meio ambiente como tema para os bordados.
Sávia Dumont, filha da matriarca Antônia, explica que a família é do interior de Minas Gerais e cresceu perto do rio Rio São Francisco, de onde surgiu a inspiração para a exposição sobre a água.
"Nós trabalhamos o bordado enquanto construção humana. Bordar para alegrar a alma, melhorar a condição de saúde, gerar emprego e renda”


Paixão de geração a geração

Antônia Dumont começou a bordar aos oito anos de idade. "Eu bordo o dia inteiro, não gosto de cozinhar, de nada, só de bordar”, diz a matriarca que aos 80 anos ainda passa horas debruçada sobre as linhas coloridas e agulhas.
"O que era um jeito de conseguir dinheiro, logo virou paixão."
Antônia fez o enxoval dos oito filhos, além de vários vestidos de noiva, e ensinou a técnica para as gerações seguintes. Mas faz questão de contar como tudo começou. "Eu fazia os paninhos e vendia pro meu avô, que ia domingo almoçar lá em casa, aí eu comprava picolé e cocada", lembra.
Marilu Dumont, psicóloga e filha de Antônia diz que, como as outras mulheres da família, também aprendeu a bordar cedo, aos sete anos. Ela explica que a mãe ensinava primeiro a olhar a natureza, para depois transformarem o que viam em bordado.
"A gente foi se apaixonando, não só pelas cores do bordado, mas pelas cores e formas da natureza."

 Sávia Dumont, outra filha de Antônia, conta que, com o passar dos anos, o estilo de bordado da família mudou. Enquanto a matriarca fazia trabalhos tradicionais, como enxovais e vestidos de noiva, as filhas e netas começaram a desenvolver ilustrações.
“Começamos a entender que o bordado é uma linguagem, é mais do que preencher os campos de um pano.”
Sávia é escritora e lançou o livro infantil "A Rebelião das Raposas" todo ilustrado com os bordados do clã. Mas a família garante que mesmo com a mudança na forma dos bordados, os propósitos do grupo não mudaram. O clã Dumont continua fazendo arte entre nós, linhas e agulhas.
  • Entre Rios Entre NósMuseu Nacional da República, Brasília
    Galeria Térreo
    Até 1º de Abril, das 9h às 19h
    Entrada gratuita

FONTE:G1 MUNDO

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