Descarrilamento no Metrô: piloto nega ter alterado ajustes do trem




 O acesso ao relatório de ocorrência redigido pela piloto do trem do metrô que descarrilou na última quarta-feira (28). O documento confirma a versão de que a máquina seguia normalmente desde a partida de Ceilândia e que só apresentou falha nos freios após chegar a Águas Claras. Na transcrição dos fatos, ela também nega ter interferido em qualquer ajuste do trem.
Pelo relato da piloto, escrito na terceira pessoa, por volta das 9h, o próprio trem emitiu no visor um alerta indicando falha nos freios "em dois ou mais carros" –, os populares vagões. Com isso, os freios ficaram "isolados", ou seja, soltos 
"A piloto rapidamente informou ao CCO (Centro de Controle Operacional) a falha detalhadamente, com freio aplicação em dois ou mais carros. Ainda afirma que não teve a menor atuação no trem durante toda a viagem."
A menos em caso de necessidade de controle no manual, os trens do metrô são operados remotamente pelo CCO. É semelhante a um sistema de piloto automático ou à distância. Na prática, significa que a condutora declarou não ter alterado as configurações do sistema de freio, o que afasta a possibilidade de falha humana.
Depois de ela comunicar o centro de controle, todos os passageiros tiveram de desembarcar. Segundo o Metrô, a decisão foi considerada acertada porque, se o trem seguisse viagem até a estação Central (na Rodoviária do Plano Piloto) naquelas condições, o descarrilamento teria ocorrido com usuários dentro dos vagões.
O relatório da piloto obtido pelo G1 é um dos documentos que compõem a sindicância aberta para apurar o que causou a soltura dos freios, que por sua vez provocou o descarrilamento. A previsão é de que o resultado seja divulgado em 30 dias.
A piloto está no Metrô desde 2015. Apesar de ser "jovem" na empresa, internamente, ela é considerada experiente.

Em quantos carros?

Um dos papéis da perícia vai ser determinar quantos freios foram de fato atingidos no incidente. Entenda a diferença:
  • Se o problema ocorre em só um carro, o trem pode seguir viagem normalmente e depois vai para manutenção – sem precisar ser rebocado.
  • Se o problema ocorre em dois carros, por segurança, ele reduz a velocidade para até 20 km/h e para na primeira estação possível, onde os passageiros devem desembarcar. Só então, segue para manutenção – sem precisar ser rebocado.
  • Se o problema ocorre em três ou quatro carros (o máximo), é considerado mais grave: o trem tem de parar imediatamente, com a saída dos passageiros. Aí o trem precisa ser rebocado.
A última opção foi a atitude tomada pela piloto. O descarrilamento ocorreu no momento em que o trem estava sendo rebocado para manutenção por um outro piloto. Foi depois de a primeira condutora ter percebido o sinal de falha nos freios.

Velha guarda

O trem que descarrilou é da “Série 1000”, da década de 1990. Como não são mais fabricadas peças dele no Brasil, o Metrô precisou trazer peças de segunda mão usadas em São Paulo.
A compra do material de SP só foi possível porque o Metrô de lá modernizou o sistema e renovou a frota. A empresa que fabricou aquele trem é a estatal paulistana Mafersa, que fechou nos anos 1990.
Atualmente, o Metrô do DF conta com 32 trens, sendo 24 usados no dia a dia. Cerca de 160 mil pessoas usam o transporte todos os dias na capital federal.

FONTE:G1 MUNDO

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