Cinema em realidade virtual e tecnologia estrelam festival de animação no DF




A primeira edição do InterAnima, evento de animação e tecnologia, estará na Caixa Cultural neste fim de semana. A mostra de animações terá 56 produções, entre curtas e longa-metragens, de 25 países. “A ideia é trazer para Brasília um panorama da diversidade da animação, tanto narrativa como na questão da origem, e dar um giro pelo olhar dos artistas”, explica Ana Arruda, produtora do festival.
Arruda explica que o evento atende uma demanda em crescimento no país. Segundo ela, a indicação de "O menino e o mundo" para o Oscar de Melhor Animação, em 2016, prova que o Brasil está atento a esse universo. "Nós temos uma vitrine de bons profissionais e o mercado interno está muito aquecido com a animação, com equipamentos mais baratos, desenvolvimento da tecnologia e grande interesse do público jovem", afirma.
O festival terá duas mostras infantis, uma para espectadores a partir dos 4 anos e outra para maiores de 10 anos, com animações sobre a infância e as relações sociais. Uma das produções é o curta israelense Lili, sobre a história de uma menina que se recusa a abandonar a infância.

Ela dirigiu quinze curtas e um longa metragem, exibidos em mais de 300 festivais em todo o mundo. As produções de Baumane são feitas a partir de desenho, papel machê, stop motion e computação gráfica.

Arte para todos

Um dos destaques do InterAnima é o SurdoCine, uma mostra de filmes voltada às pessoas surdas. Após as sessões, os espectadores vão fazer um debate sobre a obra, em libras. A iniciativa faz parte da campanha “Legenda para quem não ouve mas se emociona”, lançada em 2005.
Enquanto os festivais com acessibilidade pelo país oferecem apenas obras legendadas, a proposta do SurdoCine é focar na questão visual. “Claro que tem closed caption, mas os filmes têm um caráter muito sinestésico, as imagens falam muito, como se fossem sons virando imagens”, explica Ana Arruda.

Um dos filmes da mostra é o húngaro Love, que fala sobre o amor em diferentes condições de atmosfera e gravidade em toda a galáxia.
Apesar da mobilização da comunidade surda, Ana Arruda afirma que a maioria dos filmes não é feita sob demanda para esse público. “É um desafio para curadoria, nós tentamos encontrar obras que se adaptem. O ideal seria realizar oficinas de cinema para surdos, para que eles mudem esse cenário desde a produção”.

Outra questão social proposta pelo InterAnima é a de gênero. Além de a homenageada ser uma animadora, mais da metade dos filmes são dirigidos por mulheres. Os filmes foram escolhidos pela cineasta alagoana Nara Normande, curadora do evento.
O encerramento do festival é com o longa-metragem Persépolis, da ilustradora iraniana Marjane Satrapi. O filme, indicado ao Oscar de melhor animação, completa dez anos em 2018 e traz a visão da protagonista sobre a revolução islâmica que chegou ao Irã na década de 1970. “Além de ser muito bonito visualmente, é um filme muito atual”, afirma Ana Arruda.
Na obra, Marjane conta como a vida das mulheres foi impactada com a chegada da religião ao poder. O filme aborda temas como a adolescência, o amor e o papel das mulheres na sociedade.

Tecnologia em cinema e jogos

Uma das novidades do evento é o cinema em 360º. A experiência é parecida com o cinema em 3D, tecnologia já consagrada, mas com interatividade. Com um óculos de realidade virtual, o espectador pode “entrar” no filme e explorar o que quiser no cenário, dependendo para onde olha.
O recurso, tendência nos Estados Unidos e na Europa, ainda é pouco comum no Brasil. “A qualidade de resolução da animação em realidade virtual é tão perfeita que se mistura com nossa realidade física, é um conceito muito novo”, afirma Ana Arruda.


FONTE:G1 MUNDO

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