Astronauta brasileiro participa de evento no DF sobre desafios da educação



O Primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço, o engenheiro Marcos Pontes estará em Brasília, nesta terça-feira (6), para um evento que vai discutir os "desafios da educação no país". O encontro é gratuito e aberto ao público, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O espaço tem capacidade para 320 pessoas.
Nas vésperas da atividade, ainda em São Paulo, Pontes conversou com sobre a importância dos estudos em sua trajetória de vida até a participação na Missão Centenário, em 2006, que levou três pesquisadores à órbita da Terra.
Como único brasileiro a fazer parte da equipe, o engenheiro aeronáutico ficou responsável, durante uma semana, pelos sistemas e painéis da nave russa Soyuz-TMA 8, que decolou com destino à Estação Espacial Internacional. "Sem me dedicar à educação, nada disso seria possível", lembra.
"Só consegui realizar alguma coisa porque decidi que estudar era o caminho. Para mim, foi essencial e continua sendo."
Assim como priorizou os estudos para ter reconhecimento na carreira espacial, o astronauta de 55 anos sugere aos professores e estudantes de todo país que "se mantenham motivados". Além da função desenvolvida há mais de 10 anos na Nasa – agência espacial norte-americana –, Pontes percorre o mundo dando palestras sobre educação e ciência.

Como forma de dar seguimento a uma vida de aprendizados, ele sugere que os estudantes, de uma forma geral, estejam "atentos ao que acontece na vida". Já os professores "precisam estar preparados para traduzir, na linguagem da teoria, o que acontece na prática", explica. Em resumo, "não perder a oportunidade".
"Na decolagem de um Falcon 9 [foguete], por exemplo, o professor pode aproveitar para comentar a respeito de ciência e tecnologia", recomenda. "Um professor de física também pode usar isso para falar de força, inovação e propulsão."
Aos pais que têm filhos em idade escolar, Pontes diz que, em casa, mesmo que os adultos não saibam detalhes sobre ciência e tecnologia, podem chamar a atenção da criança para aspectos importantes da vida prática. "É uma questão de hábito."
No evento desta terça em Brasília, além do astronauta, participarão outros três especialistas da área da mesa "A Educação no Futuro".

Visão da Terra

Passados 12 anos da ida ao espaço, Pontes diz ainda permanecer encantado com a "grandiosidade do Universo". Na época, ao retornar da missão, ele contou à TV Globo a sensação que sentiu ao ver a Terra pela primeira vez.
"É algo difícil de descrever em palavras. Mas, talvez, a palavra 'maravilhoso' seja a mais aplicável."
"Na primeira vez que eu olhei para a Terra aqui de cima, lembrei da minha mãe. É uma coisa interessante de se falar, lembrei dos olhos da minha mãe, olhos azuis", contou, mais de uma década depois.
O astronauta voltou à Terra em abril de 2006. A cápsula que trouxe ele, o russo Valery Tokarev e o americano William McArthur pousou no mar do Cazaquistão. Dias depois de passar por um período de readaptação à gravidade, o astronauta chegou ao Brasil, onde foi recebido com festa e desfile em carro aberto na sua cidade natal, Bauru (SP).

Céu de Brasília

Apesar de conhecer o céu por vários ângulos, Pontes reconhece que também se encanta pelo céu de Brasília. nesta segunda (5), ele disse enxergar este pedaço do Universo como algo "científico e emocional".
"É interessante olhar para as estrelas e imaginar a grandiosidade do Universo, o quanto a gente tem ainda para evoluir, olhar para a estrela e pensar que essa luz ja foi emitida há milhões de anos", afirma.
"Isso aumenta nossa consciência e respeito pelo que se é. Estrelas sempre remetem a sonhos."
O astronauta lembra que – tecnicamente – quem está na capital do país, por estar em uma região mais seca e de umidade reduzida, tem boa visibilidade do céu. "Se nos afastarmos alguns quilômetros para fora da cidade, já tem um céu maravilhoso, se consegue enxergar muita coisa".
Apesar de reconhecer a beleza do céu candango, Pontes lembra que o avermelhado visto durante o nascer e o pôr do sol tem a ver com partículas de poluição e poeira em suspensão. "Fica bonito, mas não é bom", explica.
Sonho de astronauta
Assim como muitas crianças, Marcos Pontes sonhou em ser astronauta ainda menino. A vontade de voar começou no interior de São Paulo, quando quis ser piloto. Já adulto, escolheu a engenharia aeronáutica e a carreira militar.

Com o desejo de alçar voos mais altos, após os estudos no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), Marcos fez mestrado em otimização de trajetórias espaciais e em engenharia de sistemas, nos Estados Unidos. Ainda no doutorado, em engenharia de sistemas, foi selecionado para ser o primeiro astronauta brasileiro.

"Entrava nos aviões e pensava que queria voar mais, cada vez eu queria em um [avião] mais alto e mais rápido", lembra.

Serviço

  • Educação no futuro
  • Data: terça-feira, 6 de março
  • Horário: 19h
  • Local: CCBB Brasília (Setor de Clubes Sul – trecho 2)
  • Preço: entrada gratuita. Os ingressos podem ser retirados por meio da plataforma Eventim ou no local do evento.

FONTE:G1 MUNDO

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