Dinheiro de droga entregue na Esplanada era 'limpo' em lavanderias no DF




O dinheiro da droga entregue sob encomenda na Esplanada dos Ministérios a servidores públicos era “lavado” em duas lavanderias do Distrito Federal, aponta a operação “Delivery”, realizada nesta terça-feira (6). Segundo o delegado-chefe da 5ª DP, Rogério Henrique Oliveira, as lojas ficam no Sudoeste e em Águas Claras.
O “caminho do dinheiro” será a prioridade da polícia em uma segunda etapa da investigação, assim como a oitiva dos cerca de 50 clientes fixos monitorados. “Todos são de alto padrão aquisitivo. Tem pessoas que trabalham nos ministérios, na Câmara, membros de outros órgãos, médicos e jornalistas”, declarou o delegado.
  • Polícia do DF faz ação contra tráfico no carnaval
“As entregas ocorriam nas imediações dos ministérios e desses órgãos. Mas a gente não constatou entrega no interior de nenhum órgão. Era sempre nas imediações. Alguém ligava, encomendava, saia dos órgãos e a venda era finalizada nas imediações”, continuou Oliveira.
O “delivery” de cocaína e haxixe se dava durante o dia, por meio de motociclistas membros da associação criminosa. As porções eram sempre pequenas. Em 15 dias, um dos suspeitos foi contatado por 33 usuários diferentes.

“Se [a polícia] pegasse isoladamente, não teria como configurar o tráfico. Seria enquadrado como uso. Era coisa pequena, fácil de colocar no bolso”, explicou o delegado, que qualificou a droga como de “altíssima qualidade”.
A orientação para carregar sempre pouca droga partia de um dos 28 alvos da operação. É uma jovem de 24 anos formada em direito, que chegou a estagiar na Procuradoria-Geral da República (PGR) e fazia cursinho para entrar na Polícia Civil.
De acordo com as investigações, ela é namorada do líder do grupo, de 35 anos. “Ele que coordenava toda a venda na Vila Planalto. Quando traficantes precisavam de droga, iam até ele, inclusive”, relatou o delegado.
Até as 12h03 desta quinta, 25 dos 28 suspeitos tinham sido presos. A suspeita era de que a droga fosse ser revendida no Carnaval.

Carro da Câmara

Outro preso na operação “Delivery” é um motorista da Câmara dos Deputados. Ele trabalha para o deputado federal Valadares Filho (PSB-SE), presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional. Ao , o gabinete do parlamentar confirmou a informação e disse que o deputado "está providenciando a exoneração dele".
Segundo a polícia, ele foi flagrado, durante o expediente, usando um carro contratado pelo gabinete para comprar drogas. “Esse carro era usado para aquisição de substância. Mantinha contato com traficantes e ia buscar. Cabe frisar que o parlamentar não possuía sequer ciência dos fatos”, declarou o delegado, que também afirmou ter prendido um ex-policial do Exército, que ostentava armas em redes sociais.

Droga boliviana

Mesmo com objetivo de ser revendida em Brasília, a droga não era produzida na capital federal. As investigações levam a origem à Bolívia. “Acabamos infelizmente perdendo o rastro inicial da droga. Em um determinado momento da investigação, a gente não conseguiu mais fazer esse link”, explicou o chefe da 5ª DP.

Consequência

As prisões são temporárias e têm validade de 30 dias. Elas foram autorizadas pela 4ª Vara Criminal de Brasília. Os suspeitos vão responder por tráfico e associação para o tráfico. Se condenados, eles podem pegar até 30 anos de prisão.


FONTE:G1 MUNDO

Nenhum comentário:

Postar um comentário