Vigilante de 58 anos morre com suspeita de febre amarela no DF

Um vigilante de 58 anos morreu na última quarta-feira (3), no Distrito Federal, com suspeita de febre amarela. Segundo familiares, desde o último dia 29, ele passou pelos hospitais regionais de Planaltina e Ceilândia. A suspeita de contaminação pelo vírus foi levantada pelos próprios médicos que atuaram no caso.
Até a tarde desta sexta (5), a infecção ainda não tinha sido confirmada. Em nota, a Secretaria de Saúde confirmou a investigação do caso, e informou que as amostras biológicas coletadas estão em análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do DF. Na próxima semana, o material também será enviado para o instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.
À família, os médicos informaram que os sintomas também podiam indicar contaminação por hantavírus ou leptospirose. O corpo de Eronde Osmar da Silva foi enterrado nesta sexta, no cemitério Campo da Esperança de Planaltina.
Nesta sexta (5), após o sepultamento, o G1 visitou a casa da família em Planaltina. A filha da vítima, Juliana Kayta, diz que o pai "era um homem saudável" e "adepto de campanhas de vacinação". Questionada, ela não soube confirmar se ele tinha recebido a imunização contra a febre amarela.
"Meu pai deu entrada [no hospital] com febre e dores no corpo. Os médicos suspeitaram até de infarto, mas descartaram logo porque a febre alta indicava algum quadro infeccioso."
"Os médicos que atenderam meu pai em Planaltina disseram que podia ser causada pela hantavirose, febre amarela ou leptospirose", afirma. Segundo Juliana, o pai trabalhava no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (Saan) – região do DF onde há vários lotes de mato alto e vegetação nativa.
Ainda de acordo com a família, uma quarta hipótese – de contaminação pelo vírus da dengue – foi descartada no início da semana. As suspeitas de febre amarela, hantavirose e leptospirose se basearam na dor intensa que o paciente sentia em todo o corpo.

No comunicado à imprensa, o governo diz que a Subsecretaria de Vigilância à Saúde "está acompanhando o caso e o provável local de contágio está sendo investigado". Segundo a família, Eronde Silva não viajou, nos últimos meses, para áreas rurais ou onde houvesse epidemia de febre amarela.
"Em 2017, foram investigados 86 casos suspeitos de febre amarela em moradores do Distrito Federal. Destes, 83 foram descartados, três foram confirmados e evoluíram para óbito. Das confirmações, apenas um foi autóctone", diz a Secretaria de Saúde.
O termo "autóctone" faz referência a infecções diagnosticadas na mesma região de contágio. Isso significa que, dos três casos de febre amarela confirmadoss no DF, dois foram causados por vírus contraídos em outras regiões do país.

Caso confirmado

Em 29 de dezembro, a Secretaria de Saúde do DF confirmou a infecção por febre amarela do psicólogo de 43 anos morto em novembro na capital. Apesar dos sintomas e de testes que apontavam a doença, a pasta tratou o caso como "em investigação" por mais de um mês.
De acordo com o governo, o homem tinha sinais de anemia falciforme. Por isso, até o fim do ano, ainda não era possível dizer se a febre amarela foi a causa da morte ou apenas agravou o estado de saúde do paciente.


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