Mesmo sem doença, bancário do DF mantém remédio anticâncer há 2 anos após metástases

Uma ferida na orelha do bancário de Brasília Rui Pamplona passou a chamar a atenção em 2012. O homem pensava que pudesse ser apenas uma infecção, mas, cinco meses depois, o machucado não havia cicatrizado. Foi quando ele procurou ajuda médica e descobriu que aquele era um sintoma de câncer de pele.
"Logo que a feridinha apareceu, fui a uma dermatologista. Ela pensava também que era uma infecção e receitou uma pomada, mas não surtiu efeito. Aí começou a crescer [o machucado] e eu fui a outro especialista. Ele logo pensou que pudesse ser câncer e me encaminhou para um oncologista", afirmou.
A suspeita foi confirmada em outubro do mesmo ano. O baiano foi diagnosticado com câncer de pele melanoma, doença que afeta as células que produzem a melanina, substância que determina a cor da pele.
Pamplona disse que não tem histórico da doença na família, mas acredita que o excesso de sol durante a vida seja o motivo de ter desenvolvido o melanoma.
"Nas entrevistas com os médicos, eu recordei de ter tido pelo menos duas insolações na minha juventude. Nos anos 80 não tinha protetor e, frequentemente, eu tinha exposição ao sol", disse.
Segundo o bancário, um dos médicos que estava acompanhando o tratamento pediu para ele "vivenciar" o câncer.
"Eu passei a ler e entender o assunto. E vivenciei a doença, entrei de sola, sem medo de enfrentar. Eu tinha que conhecer o inimigo para poder derrotá-lo."
À época do diagnóstico, o bancário disse que não havia no Brasil um tratamento específico contra o câncer. Então ele passou a tomar uma medicação similar ao que usavam, naquele momento, em pacientes de outros países.
"Toda semana fazia aplicação na barriga. Esse período durou seis meses. O efeito colateral era terrível, queimava tudo e eu sentia muito mal estar: náusea durante 24h, fadiga e febre. Foi brabo."

Além disso, Pamplona precisou retirar um pedaço da orelha para o câncer não atingir outros órgãos.
Após essa fase do tratamento, o baiano teve uma boa recuperação. Mas, entre junho e julho de 2013, o câncer voltou a se manifestar, agora na parte interna do corpo.
"Precisei fazer uma cirurgia pesada. Tirei uma das amígdalas e a parótida para fazer biópsia. Comecei com radioterapia pela primeira vez, 30 sessões no total. E ainda precisei tomar doses mais fortes do remédio que eu havia tomado no primeiro tratamento."
Pamplona passou quase dois anos sem o tumor depois que passou por esses procedimentos. No entanto, um novo exame apontou o retorno do câncer: foram detectados indícios da doença no pulmão, tórax e cérebro.
"O remédio que eu tomava até estava dando certo, mas depois parou de fazer efeito", disse.
Desde essa última recaída, em 2015, o baiano toma medicamento, agora importado dos Estados Unidos, para combater o câncer.
Ele disse que chegou também a fazer tratamentos naturais e acredita que isso também tenha ajudado na recuperação.
Recentemente, o resultado de um exame mostrou que Pamplona não tem nenhum vestígio da doença. Mas, apesar de estar confiante e ter fé, ele ainda não abriu mão da medicação por receio de ter mais uma recaída.

No mês de dezembro, é celebrado o "Dezembro Laranja", evento direcionado para a prevenção ao câncer de pele. Todo ano, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele.
Dermatologistas voluntários se dividem em postos de saúde do país para orientar a população gratuitamente sobre a doença.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2016 houve uma estimativa de 5.670 novos casos do câncer de pele melanoma no Brasil. Desse total, 3 mil são homens e 2.670 são mulheres.
Segundo o instituto, a pele clara, a exposição excessiva ao sol e histórico familiar são fatores que aumentam o risco de ter o câncer.
Geralmente, o melanoma se manifesta por meio de pintas escuras e sem forma regular. Coceira e descamação também podem fazer parte dos sintomas. Segundo o instituto, a cirurgia é o tratamento mais indicado para combater a doença.
No entanto, dependendo do estágio do câncer, a quimioterapia e radioterapia também podem ser utilizadas como métodos para reverter o quadro dos pacientes.
O Inca indica como prevenção a não exposição ao sol no horário das 10h às 16h, quando os raios são mais intensos. É recomendável, ainda, a utilização de proteção: chapéu, guarda-sol, óculos escuros e filtros solares.


Nenhum comentário:

Postar um comentário