Foragidos após rebelião em presídio de GO, dois homens são presos com carro roubado no DF

Dois presos que conseguiram fugir do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia durante a rebelião ocorrida na última segunda-feira (1º) foram detidos na BR-020, próximo a Sobradinho – região administrativa do Distrito Federal. A distância é de 239 quilômetros.
Segundo a Polícia Militar, eles estavam em um veículo roubado e foram abordados por volta das 9h desta terça-feira perto do condomínio Nova Colina. Os PMs conduziram os presos para a 13ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho.
Na DP, constatou-se que os homens, identificados como Dailson Regra dos Santos e Marcos Aurélio da Silva Brito, eram fugitivos da rebelião ocorrida no presídio goiano.
Segundo a corporação, o carro usado pela dupla teria sido roubado na segunda em Bela Vista (GO). A vítima contou à polícia que seis homens armados com facões levaram o automóvel.
De acordo com a Polícia Militar, os presos estão à disposição da Justiça para o retorno ao sistema prisional.
Nesta terça-feira (2), a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, determinou que o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás realize inspeção no presídio de Aparecida de Goiânia no prazo de, no máximo, 48 horas, após o motim que deixou nove mortos e 99 presos foragidos.

Rebelião

A rebelião começou por volta das 14h de segunda-feira (1º) na Colônia Agroindustrial de Regime Semiaberto, sendo controlada duas horas depois. Por causa da confusão, cerca de 90 presos saíram da unidade e ficaram na porta por questão de segurança, mas retornaram depois que a situação foi normalizada. Outros 242 presos fugiram, sendo que 143 foram recapturados.
Uma rixa entre grupos rivais teria provocado o motim e os homicídios. Durante o confronto, os internos atearam fogo à cadeia e os corpos foram carbonizados. Até a tarde desta terça-feira, perícia ainda realizava o trabalho de identificação das vítimas.

A Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (Seap) afirmou que não há motivo para pânico pelo fato de 99 presos continuarem foragidos.
"Equipes de toda a força de segurança estão no combate, todos estão atentos com prioridade de atuação, mas não há motivo para pânico, a população deve ter cuidados de segurança normais", disse o superintendente Newton Castilho.

Castilho afirmou que a briga entre grupos rivais por causa do tráfico de drogas motivou o conflito. Presos da ala C invadiram as alas A, B e D, onde ficam detentos rivais.
O superintendente confirmou que os presos fizeram um buraco na parede para invadir as outras alas. Ele afirma que o espaço foi aberto no mesmo dia da rebelião.
"A estrutura não oferece segurança adequada, não há concreto e ferragens suficientes para impedir que o buraco fosse feito rapidamente. A estrutura é frágil na unidade."
Castilho também reconheceu a superlotação do presídio. O espaço tem capacidade para 530 internos, mas abrigava 768 bloqueados, ou seja, aqueles que estão no semiaberto, mas não saem porque não tem trabalho efetivo. No momento da confusão, havia apenas cinco agentes penitenciários no local.
Após a rebelião, 153 presos foram transferidos para o Núcleo de Custódia e para o Módulo de Segurança do Complexo Prisional. Parte da Colônia Agroindustrial está interditada porque ficou destruída durante o motim e deve passar por reforma.
O superintendente disse ainda que pediu ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que agilize a conclusão de obras de cinco presídios no interior. Castilho também solicitou o chamamento imediato de vigilantes prisionais temporários e a realização de concurso para agente prisional.

Barbárie

O delegado Eduardo Rodovalho, responsável por investigar a rebelião, afirmou que as vítimas foram assassinadas de maneira “cruel” e que o cenário no presídio após a briga entre presos era de desolação.
“Foi uma situação lamentável, muitas mortes cruéis. Muitos corpos foram carbonizados, dois tiveram a cabeça decepada e alguns deles tiveram as vísceras expostas. Os foragidos, na realidade, a maioria foi das alas que foram atacadas. Acredito que muitos estavam fugindo do ataque mesmo. Foi uma situação bastante grave. Duas alas ficaram praticamente destruídas”, 

Nenhum comentário:

Postar um comentário