Conselho da UnB votará aumento de 160% nas refeições do restaurante universitário





Uma reunião nesta quinta-feira (1º) decidirá o tamanho do reajuste do preço das refeições no restaurante universitário (RU) da Universidade de Brasília (UnB). A comissão criada pelo Conselho de Administração propôs um aumento de 160% no valor atual – o almoço e o jantar para a maior parte do público passariam de R$ 2,50 para R$ 6,50 
A sugestão da comissão é de que o aumento seja feito "de forma escalonada" – um acréscimo no início do ano e outro em julho. A palavra final será dos integrantes do conselho administrativo da universidade, que podem adotar o reajuste antes do início das aulas, em 5 de março. A medida vem sendo discutida "para adequações", segundo a assessoria da UnB.
Os preços cobrados no restaurante universitário não sofrem reajuste há 20 anos. Como a inflação acumulada no período é de 351%, segundo o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), isso fez aumentar o desembolso necessário para que a UnB possa subsidiar a manutenção do preço.
Ao G1, a instituição informou que a medida pretende "ajustar os gastos com o RU à real capacidade de pagamento da universidade".

O que muda?

Caso o novo cenário seja aprovado, os estudantes do grupo de vulnerabilidade serão divididos em dois níveis:

  • Para estudantes da assistência estudantil, com renda per capita de até 1,5 salário mínimo: gratuito
  • Para estudantes da assistência estudantil, com renda familiar per capita entre 1,5 e 2 salários mínimos: café da manhã a R$ 2,10; almoço e jantar a R$ 3,90
  • Para estudantes de graduação, pós-graduação e estagiários: café da manhã a R$ 3,50; almoço e jantar a R$ 6,50
  • Para servidores, terceirizados e visitantes: café da manhã a R$ 7; almoço e jantar a R$ 13
Dois terços das refeições servidas em 2017 – 66,6% do total – foram para os alunos de graduação e pós-graduação com a faixa menor de subsídio, segundo a UnB informou ao G1. Para estes, a universidade diminuirá o desembolso de 81% para 50%. Estudantes com assistência consumiram 30,4% das refeições.
A criação de um grupo que acolha estudantes com renda familiar per capita entre 1,5 e 2 salários mínimos foi proposta pela comissão "de forma a melhor acolher os que mais necessitam".

Reação acadêmica

Cerca de 100 estudantes e servidores da institutição se reuniram nesta terça-feira (30) em um ato no Instituto Central de Ciências (ICC), no qual discutiram as medidas a serem tomadas pela comunidade acadêmica.
Segundo o coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Hélio Barreto, os universitários têm se preparado para "acompanhar ativamente" a aprovação. "A gente já sabe que (o subsídio praticado hoje) é inviável. Por mais que a gente entenda a redução de investimento para a UnB, e devemos procurar soluções, a gente pensa que o aumento é uma medida impopular", afirmou.

"A grande questão é que, por mais avançado que seja o sistema de assistência da UnB, há uma limitação de vagas para pessoas assistidas. Sempre vai ter gente que não consegue entrar e arcar com os outros vários custos dentro da universidade, como transporte."
O estudante de história Matheus Barroso disse ao G1 que, segundo os alunos, a medida foi colocada em discussão "de forma errada", sem tempo para que a comunidade pudesse se envolver no tema. "O restaurante universitário tem a funcionalidade de servir a assistência estudantil, e não promover ou reduzir lucros. Ele tem que servir à permanência", afirmou.

Corte de verba e administração

No ano passado, o restaurante universitário chegou a reduzir a variedade no cardápio devido o corte de verbas dentro da instituição. Em 2017, a UnB sofreu com déficit de R$ 100 milhões.
Segundo a reitora da UnB, Márcia Abrahão, com a falta de repasse adicional, a universidade sentiu dificuldade para pagar as contas.Durante o segundo semestre, a verba para institutos, bolsas e auxílios foram comprometidos.
O contrato com a Sanoli – empresa terceirizada responsável pelo fornecimento das refeições no RU e por toda logística do processo (incluindo a manutenção dos equipamentos, a segurança e o atendimento aos usuários) – custou à universidade, no ano passado, R$ 27 milhões.

FONTE:G1 MUNDO

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