Nigeriano realiza sonho de abrir restaurante que reúne culinária e cultura de 54 países africanos no DF

Hakuna matata", sugerem as palavras – escritas em suaíli – na parede principal do único restaurante de culinária africana do Distrito Federal. A expressão falada na África Oriental significa "não se preocupe", e ficou eternizada pelo filme "O rei leão", de 1994.
A inspiração ficou tão marcada na vida do nigeriano Chidera Ifeanyi que, há três meses, o jovem decidiu pôr em prática o antigo sonho de empreender. Para ele, 2017 foi o ano da mudança. "Foi um sonho realizado. Não foi fácil, mas gosto de servir. Fico feliz em ver as pessoas comendo nossa comida e ficando feliz", afirma sorrindo.
"Como ter um sonho e deixá-lo morrer? Decidi que não passaria desse ano de 2017."
Em funcionamento na quadra 412 Sul, o Simbaz Culinária Afro Bar mapeou as principais características dos 54 países do continente africano. A proposta é oferecer ao público a culinária, língua e cultura das quatro principais regiões que compõem a África. O nome do estabelecimento, segundo Chidera, também tem significado.
"Simbaz significa leão, que não tem medo de desafios."


Viagem gastronômica

As origens dos pratos percorrem o continente de uma ponta a outra. O carro-chefe é o "yassa", tradicionalmente servido no Senegal. Frango, muito molho, cebola, mostarda e um ingrediente especial – "segredo do chefe", explica Chidera.
Tão famoso quanto, é o "fufu". A massa macia, cozida e pouco temperada é preparada à base de milho, mandioca ou arroz, conforme a região. O bolo é comido com as mãos e também servido com molhos.]

Nas paredes, quadros pessoais representam países como o Benim e a Nigéria, terra de origem do jovem empresário. O objetivo, segundo ele, é "mostrar a África para brasileiros e para o mundo", indo de encontro à invisibilidade imposta às culturas africanas por mais de dois séculos.
"Alguns vêm e não têm noção de como é a culinária africana. Veem a comida saborosa e a apresentação legal. A maioria não sabia que era assim."
Com essa proposta, o empresário sonha em ampliar a utilização do espaço para oferecer também noites de conversação em inglês e em francês. Os idiomas são considerados oficiais em grande parte dos países da África, em razão das influências coloniais.
Os novos planos também incluem aulas de dança – kizomba e zouk –, um cineclube de filmes africanos e um bazar de roupas e tecidos tradicionais do continente.

Nigéria-Brasília

A história do Simbaz é carregada de significados pessoais, e revela um pouco da relação entre o Brasil e o continente africado. A chegada de Chidera Ifeanyi ao Brasil foi em 2008, acompanhado dos pais que vieram trabalhar no país.
Desde então, a capital federal se fez morada para a família. A veia empreendedora, segundo Chidera, é compartilhada com os irmãos, com quem divide a sociedade no restaurante.
O aprendizado do português para o falante nativo da língua inglesa aconteceu aos poucos. Ele conta que se tornou fluente em oito meses – o suficiente para conquistar também uma vaga no disputado curso de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB).
Com o tempo, o amor pela gastronomia foi superando o interesse pelos circuitos elétricos e o jovem de espírito inquieto passou a conciliar o curso da UnB com a formação técnica em gastronomia. O talento com a mistura de temperos levou o nigeriano a cozinhar, inclusive, para as delegações da Nigéria na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas Rio-2016.


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