Morte de aluno da UnB: a 1,5 mil km de distância, família só soube após mensagem de professor a rádio local

Os pais do estudante da Universidade de Brasília que morreu após ser esfaqueado durante assalto na última quinta-feira (7) só souberam do crime quase 20 horas depois. Contato que mais vezes aparecia na lista de chamadas de Arlon Fernando da Silva, o professor de física Jorlando Francisco Félix não tinha telefones da família do jovem, que mora em Rio Branco do Sul (Paraná) – cidade a 1.421 km de distância da capital do país. Por isso, pediu a uma rádio local que divulgasse o ocorrido.
"A enfermeira me ligou quando ele chegou ao hospital. A princípio achavam ser um acidente de trânsito. Ela me disse que ele estava em estado grave, e eu fui para lá imediatamente. Estou responsável por cuidar de tudo aqui até a família se posicionar", disse.
"Um primo dele ouviu sobre o caso na rádio e me ligou. Ele foi então atrás dos pais do Arlon para contar."
O rapaz tinha 29 anos e voltava de bicicleta para casa, no Sudoeste. O crime aconteceu quando ele passava próximo ao Museu dos Povos Indígenas. Câmeras de segurança das sede do Executivo, Judiciário e Legislativo local não conseguiram flagrar o crime por falta de iluminação.
Silva levou pelo menos quatro facadas na axila e no antebraço esquerdo – também havia marcas na mão direita, que podem indicar tentativa de reação. Ele então correu na direção do Eixo Monumental, agitando os braços e pedindo ajuda.
Carros de polícia que passavam pelo local pararam para prestar socorro. Silva foi levado para o Hospital de Base, mas sofreu parada cardíaca durante cirurgia.

Expectativas

O professor Jorlandio Francisco Félix, que orientava Silva na pesquisa de doutorado, se disse abalado com o ocorrido. "Você fica em pânico, né?"
"O Arlon é um cara extremamente tranquilo. Fala o que é necessário. É um cara competente, tem um perfil de pesquisador. Já ia contribuir nesse próximo ano com a ciência brasileira. Tinha resultados bem promissores."


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