Médico é condenado a indenizar família de jornalista morta durante lipo no DF

Justiça do Distrito Federal mandou o médico Haeckel Cabral Morae indenizar a família da jornalista Lanusse Martins Barbosa, que morreu durante uma cirurgia de lipoescultura. Ele terá de pagar R$ 50 mil por danos morais, mais pensão mensal de R$ 2,3 mil até o filho da jornalista completar 25 anos.
Cabe recurso à decisão. O não conseguiu localizar a defesa do médico. Ele já tinha sido condenado em 2016 por homicídio culposo. Na época, a Justiça entendeu que ele não teve a intenção de matar a jornalista. A pena, fixada em dois anos de detenção, foi convertida em pena restritiva de direito, como serviço comunitário.
A morte ocorreu em 2010, quando a repórter tinha 27 anos. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), durante a cirurgia de Lanusse dois cortes provocaram uma hemorragia: um na região acima do quadril direito e outro, abaixo do umbigo. Ainda segundo a perícia, a cânula ultrapassou a parede abdominal e perfurou a veia do rim direito.
A hemorragia grave provocou a queda gradual da pressão, da frequência cardíaca e a parada do coração. A cirurgia foi feita sem a presença de um cirurgião auxiliar e sem a estrutura necessária (UTI, banco de sangue e ambulância).
Segundo o Conselho Regional de Medicina (CRM), cirurgias de estética podem ser feitas em centros cirúrgicos sem UTI. Na época, a Vigilância Sanitária vistoriou o hospital e não encontrou irregularidades.

Alerta

A delegada que investigava o caso, Martha Vargas, disse em 2010 que o anestesista avisou ao cirurgião que havia algo errado durante o procedimento e pediu para que a cirurgia fosse suspensa. "Ao não abrir a paciente, ele assumiu o risco [de ela morrer]", disse.
De acordo com o perito Gilberto Alves, o processo de reanimação, que levou cerca de 1,5 h, diante de uma parada cardíaca, estava correto. No entanto, ele pode ter aumentado a vazão de sangue e piorado a situação.
Lanusse perdeu pelo menos 1,5 litros de sangue. Segundo a polícia, esse total pode ser ainda maior. Para uma pessoa com o peso e altura da jornalista, o total de sangue do corpo é de cerca de 4,5 litros.


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