Jovem com paralisia cerebral é mantida amarrada enquanto GDF descumpre ordem judicial para cirurgia

A dona de casa Eliane Santana da Silva vê a história da primeira filha como inspiração para um roteiro de guerra: faltou oxigênio no cérebro de Beatriz durante o parto por causa de uma falha médica e, apesar da dedicação da mãe por tratamento adequado na rede pública do Distrito Federal, a situação piora a cada ano. A mais recente "batalha" gira em torno de uma cirurgia, determinada pela Justiça há mais de um ano, mas ainda sem prazo para acontecer.
A Secretaria de Saúde diz que a compra do equipamento necessário está em fase de licitação. Além disso, declarou oferecer assistência médica a Beatriz, com medicamentos e profissionais

A jovem, que atualmente tem 19 anos, foi diagnosticada com paralisia cerebral ainda nos primeiros dias de vida. O acompanhamento por neurologistas não impediu que ela desenvolvesse distúrbios motores severos – ela não consegue controlar os movimentos e, por isso, se debate até dormindo – nem sofresse de dores intensas. Por isso, é mantida amarrada com faixas, para evitar que caia e se machuque mais.
Nos últimos quatro anos, a situação se agravou, com crises convulsivas cada vez mais severas, e ela depende de morfina para se sentir "menos desconfortável". Em julho de 2014, um laudo médico apontou que não existe mais tratamento clínico viável para o caso dela.
Os riscos são inadmissíveis, pois podem ocorrer complicações diversas, tanto ortopédicas como neurológicas e respiratórias", disse o neurologista Luiz Cláudio Modesto Pereira no documento.
A indicação do profissional é que a jovem receba um neuromodulador. O aparelho age como um marca-passo do sistema nervoso e ajuda a controlar a “bagunça”, como diz a mãe, provocada pelo quadro atual. Com isso, as dores e os movimentos involuntários diminuiriam.
A expectativa de melhora do quadro com a cirurgia, segundo o laudo, varia entre 50% e 85%. Apesar disso, a Secretaria de Saúde não realizou o procedimento. A família procurou então a Defensoria Pública e conseguiu uma decisão judicial em 18 de outubro de 2016. A sentença nunca foi cumprida.
Em maio deste ano, a Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 114 mil dos cofres da Secretaria de Saúde para garantir a realização da cirurgia na rede privada. O valor corresponde ao orçamento mais barato apresentado pela dona de casa Eliane Santana da Silva


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