Dono de maior food truck do DF consolida negócio e planeja abrir segunda marca

Alexandre de Sousa Santos é o nome por trás da rede de food trucks e lanchonetes "Geléia Burguer", que se espalharam pelo Distrito Federal. A cor laranja dos carros e a batata rústica com páprica e alecrim ganharam fãs e proporcionaram uma reviravolta – daquelas dignas de filmes – na vida do empresário.
Neste ano, ele abriu seu quarto negócio sobre rodas, inaugurou duas lojas e bateu a marca de 70 mil hambúrgueres vendidos por mês.
“2017, sem dúvida, foi o melhor ano da minha vida. Ouvi dizer que o meu negócio ‘era só mais uma modinha’. Neste ano, os 13 anos de história do 'Geléia' se consolidaram. Virei a chavinha.”
Morador do Gama – região administrativa do DF –, Santos começou a vida profissional longe das chapas de hambúrgueres. Aos 18 anos, rodava a capital atrás de um volante de um táxi, um Fiat 147. Ao chegar a sua primeira corrida, no Aeroporto de Brasília, recebeu o apelido de "Geléia". O nome, que à primeira vista foi encarado com desgosto, tornou-se uma marca de sucesso.
O apelido, segundo Geléia, nasceu pela semelhança física dele com um antigo taxista de Brasília, conhecido como "Geleião".
"Achavam que eu era filho desse homem. Inclusive, dirigia o mesmo modelo do veículo que ele usava." No carro de placa vermelha, Santos não avistou aquilo que havia colocado na cabeça: ter muito dinheiro. Por isso, abandonou o volante aos 23 anos.
Apesar da mudança, o nome Geléia permaneceu. O empreendedor abriu uma agência de turismo – a "Geléia Tour"–, foi DJ sob a assinatura de "DJ Geléia" e até empresário de uma dupla sertaneja. Todas as investidas, no entanto, geraram empréstimos e muitas dívidas.
“Tinha uma noiva, queria casar e me vi em uma situação financeira complicada.”
Mesmo com o bolso apertado, Geléia alugou um espaço no Gama e inaugurou, em 2004, com a ajuda da família o "Dog do Geléia".

A inciativa não deu certo. "Quando me dei conta, vi que tinha quatro lojas que davam dinheiro e quatro que não davam. O modelo adotado por dois franqueados, que apostaram no negócio, também não foi para frente", explicou Geléia.
Em 2013, o empresário decidiu repensar o modelo de comércio e ficou com apenas quatro lanchonetes: duas no Gama, uma em Santa Maria e outra em Samambaia.
Enquanto a chave não virava – expressão muito usada pelo empreendedor –, nascia no país o burburinho dos food trucks. Apesar de não conhecer muito sobre essa modalidade de negócio, o desejo de crescer era tão grande que, sem dinheiro para investir, decidiu pegar um novo empréstimo bancário, agora, de R$ 200 mil.
Um amigo de Geléia e dono de uma pizzaria no Gama, Jerry Correia, elaborou o cardápio comercializado no caminhão. Correia também era proprietário de um food truck, mas, no ano passado, enquanto trabalhava no Sudoeste – região do DF –, foi morto após uma discussão por causa do barulho gerado pelo veículo.

Antes de abraçarem a iniciativa, Geléia e Correia foram para São Paulo conhecer as hamburguerias que faziam sucesso por lá e trouxeram ideias para o empreendimento. "Fui conhecer o gourmet, o 'fresco'. Quando experimentei os hambúrgueres, vi que a coisa era boa."
Embora tenha escutado que o momento não era propício – o Brasil se recuperava da derrota diante da Alemanha na Copa do Mundo de 2014 e começava a enfrentar a crise financeira –, o empresário colocou para rodar seu primeiro caminhão em março de 2015.
A bordo do truck, quatro funcionários e o próprio Geléia se revezavam para atender a clientela e percorrer as avenidas e os eventos de rua do DF. De acordo com o dono de lanchonetes, um mês após a inauguração, "o negócio pegou".
“O que aconteceu com o Geléia Burguer não tem explicação. Acho que foi um milagre.”
Nove meses depois de lançar seu primeiro food truck, Geléia colocou um segundo carro para circular a capital. Antes de deixar a fábrica responsável pela confecção do caminhão, em São Paulo, o brasiliense encomendou o terceiro veículo e o estreou no aniversário de 56 anos da capital federal, em 21 de abril de 2016.
Desta vez, para adquirir este novo truck, não foi necessário lutar por um empréstimo. À vista, Geléia fechou a compra do carro.


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