Coronel da PM preso acusado de cobrar propina no DF é transferido para 'Papudinha'

O coronel Francisco Feitosa, preso por suspeita de extorquir dinheiro de empresários em troca da liberação de pagamentos da Polícia Militar do Distrito Federal, foi transferido na tarde de terça-feira (5) para a carceragem do 19º Batalhão, conhecida como "Papudinha". O local é onde ficam policiais indiciados e denunciados, que aguardam julgamento.
Então responsável pelo Departamento de Logística e Finanças da PM, Feitosa foi detido no dia 14 de novembro durante a operação Mamon. Desde este dia, ficou encarcerado no 1º Batalhão de Policiamento de Trânsito. Ele deve permanecer preso por tempo indeterminado.
Dois dias após a prisão dele, o  mostrou que ele ficou em uma espécie de “suíte” com cama e banheiro privativos e recebeu visitas fora dos dias convencionais. As visitas aos presos só ocorrem no fim de semana, mas em uma quarta-feira, recebeu visitas, incluindo a da mãe, que trouxe roupa e comida. Ele também conseguiu um ventilador e café passado na hora.
Questionada, a Corregedoria da PM negou que o coronel, que foi exonerado, tenha tido qualquer regalia. Disse que está cumprindo a Lei de Execuções Penais e que o ele ficou em uma cela com cama .

Contratos sob suspeita

Entre os contratos investigados, estão os de manutenção de viaturas. Como um da “M.R.S da Rocha”. A empresa recebeu, em maio de 2016, três repasses da PM para manutenção da frota oficial: quase R$ 366 mil.
Outro contrato sob suspeita é o da compra de 52 rádios de novos carros da corporação, por R$ 360 mil. O contrato foi firmado pelo coronel Feitosa e a Motorola Solutions.
Segundo os investigadores, os rádios não funcionam. No entanto, o policial que atestou isso em um relatório foi afastado. Por causa das suspeitas, o foco da apuração foi ampliado e estão sendo investigados todos os contratos dos últimos cinco anos. A TV Globo pediu à PM o levantamento dos contratos dos últimos anos e valores, mas a corporação não quis passar a informação.
A defesa do coronel e os representantes da MRS da Rocha não foram localizados. A Motorola Solutions disse que "possui processos exigentes de compliance para garantir que suas operações estejam de acordo com as leis locais e internacionais e também com o seu próprio código de conduta nos negócios".

Veja o que diz a Motorola

"Como acordado no contrato assinado, os rádios móveis foram entregues dentro do prazo determinado e com aceitação plena por parte do cliente, que testou o sistema de comunicação por voz dos dispositivos e a capacidade de transmissão de dados curtos, antes da aceitação. O único componente que não foi testado na época, foi a função TEDS (TETRA Enhanced Data Service), que permite expandir a transmissão de dados nos rádios padrão TETRA, e que só seria configurado mais tarde, uma vez que a rede - que é de responsabilidade de outro fornecedor - ainda não havia sido completamente implementada e configurada.
Mais tarde, com a rede em operação, recebemos alguns questionamentos de nosso cliente sobre o desempenho da função TEDS. A Motorola Solutions então acionou técnicos especializados no mundo todo de engenharia de sistemas para avaliar as causas das preocupações e conseguiu provar que a capacidade técnica dos seus rádios está 100% de acordo com as especificações técnicas do sistema TEDS.


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