Chuva no DF supera média em Santa Maria, mas fica abaixo do esperado no Descoberto


Durante este mês de dezembro no Distrito Federal, choveu acima da média no Lago Paranoá e no reservatório de Santa Maria. No entanto, o volume de chuva na bacia do reservatório mais prejudicado e mais importante do DF, o Descoberto, continua quase 20% abaixo da média histórica.
Segundo dados atualizados diariamente pela Agência Reguladora de Águas e Saneamento (Adasa), choveu 240 mm sobre o Santa Maria, que normalmente espera 205 mm (17% a mais). Sobre o Paranoá, onde normalmente se espera 141 mm, foram registrados 197 mm (39% a mais).
Já na bacia do Descoberto, onde são esperados 246 mm para o mês, choveu 198 mm. Ou seja, 19,5% a menos do que a média para dezembro – a seis dias para o fim do mês.
Segundo a Adasa, o comportamento de chuvas do DF não é constante. Isso faz com que um reservatório, como o de Santa Maria, possa se recuperar melhor do que o Descoberto, por exemplo.
“Em Brasília, as chuvas são majoritariamente de natureza convectiva, isto é, são chuvas concentradas e de pequena área de influência. Este fator acaba gerando no DF chuvas com distribuição tanto espacial como temporal de ordem heterogênea.”

Palavra da especialista

Em entrevista ao G1, a professora especialista em recursos hídricos Ercília Torres Steinke, da Universidade de Brasília (UnB), relativiza os dados.
“A água proveniente da chuva vem de duas formas. Tem chuva convectiva, a famosa chuva isolada, que acontece por conta do calor local e é muito localizada. E tem a chuva proveniente de frente fria. Ela é muito bem distribuída e pega o DF inteiro”, declarou.
Segundo ela, estatisticamente, não se pode dizer que existe grande diferença no volume de chuva entre as regiões do DF. “Não existe isso de que aqui não chove e ali vai chover. O DF é muito pequeno para fazer essa divisão.”

Ainda assim, é possível fazer uma avaliação espacial da chuva. “Se for fazer essa análise, a região que mais chove é a Oeste, justamente onde está o Descoberto. Entretanto, esse dado pode ser tendencioso porque a maior parte das estações meteorológicas do DF estão lá. Por outro lado, as frentes frias que vêm do Sul do país chegam aqui pelo Sudoeste do DF.”
Apesar da relativa imprevisibilidade das chuvas, ela diz que houve falta de planejamento dos órgãos públicos e que o racionamento deveria ter começado em 2015.
“Essa condição de menor volume de chuva já se sabia. Tem três anos que a gente observa que o nível vem diminuindo. Mas tudo isso é ainda resultado do El Niño, de 2015, 2016, que foi muito forte. Isso alterou a dinâmica climática. Por isso, o uso responsável que se faz da água é mais importante do que a própria questão da chuva.”

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