Polícia Civil do DF prende mais um suspeito de articular 'máfia dos concursos'

policiais civis do Distrito Federal prenderam, nesta terça-feira (31), mais um suspeito de comandar a "máfia dos concursos". Segundo as investigações, Antônio Alves Filho foi o responsável por corromper um funcionário do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) – antigo Cespe –, para que ele entrasse no esquema.
O Cebraspe é um dos principais institutos organizadores de concursos em todo o país, responsável pelo vestibular da Universidade de Brasília (UnB), pela correção do vestibular do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e por concursos da União, entre outras seleções.
De acordo com as investigações da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco), Antônio Filho aliciava concurseiros e prometia a aprovação nos exames, mediante pagamento de propina. O e a TV Globo tentam contato com a defesa do homem.
Morador do Recanto das Emas, o suspeito foi detido em uma fazenda do Entorno. Com ele, policiais apreenderam um celular e um carro. Filho era considerado foragido desde esta segunda (30), quando a segunda fase da operação foi deflagrada no 

Redação 'com calma'

Em depoimento à polícia, uma das candidatas de um concurso público do DF disse ter pago R$ 50 mil em duas parcelas ao grupo. Ela disse ter ido até a casa de Hélio Ortiz – apontado como chefe do grupo (entenda abaixo) –, dois dias após o concurso, para pegar a folha de redação em branco e poder fazer "com calma".

Mesmo escrevendo fora do prazo, e sem tempo determinado, havia uma promessa de que a prova fosse digitalizada junto com as demais. De acordo com a Polícia Civil, a mulher foi aprovada no concurso – o órgão público e o status da contratação não foram informados.
Até a tarde desta terça, seis pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa já estavam presas, e outras duas seguiam foragidas.

Investigação

Nesta segunda, as polícias civis do DF e de Goiás deflagraram duas operações paralelas contra 33 suspeitos de liderar a chamada "máfia dos concursos" pelo país. Entre os alvos, 15 são de Brasília e 18 de Goiânia. Segundo os investigadores, eles tinham intenção de fraudar o Enem.
Em entrevista à TV Globo, o advogado do Cebraspe, Marcus Vinícius Figueiredo, negou a participação do centro em irregularidades. "É uma instituição que tem respeito no mercado por conta dessa prestação constitucional que exerce, e vai continuar cooperando com a autoridade policial em tudo o que ela precisar", afirmou.
Responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em todo o país, o Inep afirmou em nota que "foram adotadas todas as medidas para uma aplicação segura, que garanta isonomia entre os participantes e tranquilidade para realização das provas".
A suspeita é de que esse ex-funcionário do Cespe/Cebraspe age desde 2013, e de que mais de cem pessoas tenham se beneficiado do esquema. Os investigadores agora trabalham para identificar essas pessoas para prendê-las e fazer com que percam a função pública.



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