Estudantes do DF plantam 1,2 mil mudas para recuperar margens do Pipiripau

estudantes de escolas públicas e privadas do Distrito Federal vão replantar pelo menos 1,2 mil mudas de espécies nativas do cerrado em propriedades às margens da bacia do córrego Pipiripau, em Planaltina. A ação começa nesta terça-feira (31) e se estende pelas próximas oito semanas, até o fim do ano.
A lista inclui 47 variedades de espécies como ipê, jatobá, pequi e angico. Ao todo, 12 propriedades da região serão beneficiadas pelo projeto conhecido como "Pede Planta". Para o professor responsável pelo projeto, Erli Ferreira Gomes, o objetivo é “proporcionar aos alunos um contato permanente com a educação ambiental”.
“Eles serão protagonistas desde a identificação das árvores, à escolha do local e plantio. Acompanhando o desenvolvimento eles se tornam, também, cuidadores do meio ambiente.”

 Além das mudas plantadas pelos estudantes, outras 3,8 mil plantas de espécies nativas serão entregues aos produtores da região para que eles próprios façam o plantio. A iniciativa já acontece há 10 anos mas, pela primeira vez, vai ultrapassar os muros das escolas e dos viveiros.
Nesta edição, o projeto Pede Planta contou com o apoio da associação de produtores rurais da região, da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento (Adasa) e de outros órgãos do governo do Distrito Federal. O próximo passo, segundo o GDF, é ampliar a iniciativa de replantio de espécies nativas às margens da bacia do Descoberto. Nesta segunda (30), o reservatório operava com apenas 6,5% da capacidade.

'Produtor de Água'

Produtores rurais do DF contam com o apoio do programa Produtor de Água, uma iniciativa federal gerida pela Agência Nacional de Águas (ANA). O programa tem versões adaptadas e, até o primeiro semestre deste ano na região do Pipiripau, contava com 137 contratos assinados.
Os produtores rurais são voluntários e ficam responsáveis pela manutenção de benfeitorias, como o plantio de mudas de árvores nativas, a recuperação de estradas e conservação do solo. Ao firmar o contrato, eles têm até cinco anos de pagamentos por essas manutenções.
Veja os tipos:
  • Conservação do solo: R$ 43,10 por hectare ao ano em caso de abatimento de 25 a 50% das erosões, R$ 71,82 por hectare ao ano se esse porcentual for de 51% a 75% e R$ 114,92 por hectare ao ano se for acima de 75%.
  • Restauração de área de preservação permanente (APP) e/ou vegetação nativa em até 20% da área total, desconsiderando APP: R$ 129,28 por hectare ao ano se a manutenção for parcial e R$ 229,84 se integral.
  • Conservação de remanescentes de vegetação nativa: R$ 344,76 por hectare ao ano. São elas as áreas fora de APP e dos 20% da área total. São consideradas preservadas as que não demandarem nenhum investimento além do cercamento.


Crise hídrica

A crise hídrica na capital do país se arrasta desde agosto de 2016, quando o nível dos dois reservatórios que abastecem o Distrito Federal – Santa Maria e Descoberto – começaram a apresentar quedas significativas.
Nesta segunda (30), o volume do Descoberto alcançou 6,5%. Segundo as curvas de monitoramento projetadas pela Adasa, esse nível é inferior ao ponto mais baixo – de 9% - previsto para o Descoberto em 2017, e só seria atingido no fim desse mês.
O reservatório de Santa Maria, segundo maior da capital, também opera no limite. Nesta segunda, a bacia tinha apenas 23% do volume total preenchido – exatamente o valor previsto pela Adasa, que trabalhava com o "pior cenário possível" nas curvas estabelecidas.


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