Morte de ciclista no DF: local do acidente ganha cruz e flores

O local do acidente que matou um ciclista e voluntário da ONG Rodas da Paz em Brasília recebeu uma cruz e várias coroas de flores nesta segunda-feira (23). Raul Aragão tinha 23 anos e foi atingido por um carro quando atravessava a L2 Norte na altura da entrequadra 406/407. De boné e com nariz de palhaço sobre o abdômen, o corpo do rapaz foi velado durante a manhã.
De acordo com a Polícia Civil, o laudo com as causas do acidente sai em um período entre 15 e 30 dias, o caso está com a 2ª DP. O motorista, que tem 18 anos e ainda não prestou depoimento por estar "muito abalado", fez teste do bafômetro – que não indicou embriaguez. Testemunhas ouvidas pelo G1 afirmam que ele gritava e chorava muito após a batida.
"Ele desceu do carro pedindo por socorro", disse o funcionário de um restaurante nas proximidades do local do acidente. "Ele estava acima da velocidade e tentou pegar o retorno. Como não conseguiu manobrar, voltou para a pista. Nisso, atingiu o ciclista."

Velório

A cerimônia foi marcada por emoção. Uma fila de bicicletas se formou do lado de fora da capela do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Pai do jovem, Helder Luís Rocha reforçou a importância da luta por mobilidade urbana para o filho.
"O mundo não gosta muito de heróis. Para ser herói você tem que morrer. E o Raul foi um herói dessa causa. Ele brigava por isso."
"Não, ele não brigava", disse em seguida o pai . "Ele é um ser de luz. É um ser que vai inspirar até a última pessoa que o conheceu estar com vida. Quem viu aquele sorriso maravilhoso dele nunca vai poder esquecê-lo", completou.
Para homenagear o ciclista amigos e parentes decidiram consertar a bicicleta dele e pintá-la de branco. Ela será colocada no ponto onde houve o acidente – e onde atualmente há uma cruz – na sexta (27), após um passeio de bike para homenager Raul Aragão. Outras 15 cidades confirmaram atos no mesmo dia.

Aragão estava a dois semestres de se formar em sociologia na Universidade de Brasília (UnB). Neste domingo, o pai dele afirmou ver o caso como fatalidade e disse esperar que o motorista "supere" o ocorrido.
"Espero que o rapaz que continua vivo consiga superar isso, que vai ser uma coisa difícil para ele", disse. "As pessoas, sempre que acontece uma coisa, querem vingança ou punição. Eu acho que não é o caso."
"A culpa é de todos nós como sociedade, que, ao privilegiarmos o carro, a gente faz vias velozes para o automóvel, o que dificulta o deslocamento a pé ou de bicicleta."


Acidente

O acidente aconteceu por volta das 14h30 de sábado (21) nas proximidades da entrequadra 406/407 Norte. Aragão voltava do restaurante universitário, onde havia ido almoçar, e pedalava em direção ao apartamento que dividia com a mãe. Ele atravessava a L2 Norte – cujo limite de velocidade é 60 km/h – quando foi atingido. O ciclista caiu no capô do carro.

O rapaz foi socorrido já desacordado pelo Samu. Ele foi transportado para o Hospital de Base, onde morreu às 4h10 deste domingo (22). O motorista, de 18 anos, permaneceu no local do acidente durante o resgate.
Em nota, a Secretaria de Saúde afirmou que "lamenta o falecimento de Raul Aragão". Segundo a pasta, o jovem deu entrada no Hospital de Base às 14h10 de sábado (21) e, logo, foi internado na sala vermelha da unidade de saúde em "estado gravíssimo".
"O paciente apresentava traumatismo craniano, torácico e abdominal. Ao ser internado, apresentou uma parada cardiorrespiratória, foi reanimado e encaminhado ao centro cirúrgico. Raul foi operado, porém não resistiu", detalhou a Secretaria de Saúde em nota.


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