Moradores de região do DF que registrou recorde de temperatura estão há 5 dias sem água

Com as torneiras secas há cinco dias – período no qual o Distrito Federal registrou sua maior temperatura da história, 37,3°C, e entrou em estado de emergência por causa da baixa umidade relativa do ar –, moradores de Planaltina têm apelado para familiares em regiões administrativas vizinhas para garantir banho e o próprio consumo. Técnicos da Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) disseram não haver previsão para a retomada do serviço.
“É preciso que o nível do reservatório normalize para que a o abastecimento chegue ao local”, diz o técnico por telefone.

 À TV Globo, a Caesb confirmou o problema em Planaltina e Sobradinho e disse ainda não ter previsão para regularizar a situação. A causa, afirma, é a redução gradativa na vazão dos mananciais.
A digitadora Hevelin Silva diz que já perdeu as contas de quantas vezes abriu a torneira de casa para ver se tinha água. As roupas sujas dela e das três crianças estão acumulando. "Estamos sem água desde quinta à noite, pegando água fora."
A dona de casa Sônia Silva Pereira conseguiu pegar água na casa de um parente em Sobradinho para lavar a louça da cozinha. "É horrível ficar sem água para tomar banho."
"Se a gente quer tomar banho, tem que ir para a casa dos outros, em casa que tem. E a que a gente tem [para ir] próxima é longe. Nesse tempo quente, como faz sem água?", questionou

 Moradores do Condomínio São Francisco II, no Arapoanga (Planaltina), se dizem indignados com a situação. Eles mostram as contas de água em dia e reclamam da falta de abastecimento. A interrupção, afirmam, aconteceu sem aviso.

“Passamos o final de semana todinho sem água. A gente liga na Caesb e eles não dão previsão, dizem que não tem previsão”, disse o salgadeiro Marcos Viana.
A frentista Cíntia Soares afirma que a casa só não está mais suja porque ela tem improvisado. “Estou comprando marmita praticamente todos os dias. E, para beber água, estou indo à casa da minha mãe.”
Reportagem da Redação Móvel encontrou moradores com carrinhos levando baldes d’água pelas ruas. Eles foram buscar em outros bairros de Planaltina em que o abastecimento não foi interrompido.
A empresária Cristiane de Jesus relata prejuízos na padaria de que é dona. "Domingo fechei mais cedo porque não tinha água para a gente produzir", disse. "O pouco que a gente consegue é para fazer a limpeza."
A situação afetou até mesmo as aulas da Escola Classe 7, onde estudam 430 crianças. As aulas foram suspensas e, se o abastecimento não for retomado, o horário vai ser reduzido para duas horas e meia nesta quarta-feira, afirmou a direção. As atividades, ainda que em menor período, só vão ser mantidas porque a direção abastece a caixa com água comprada de um caminhão pipa.

Calor e seca

A Estação de Águas Emendadas, em Planaltina, registrou no último domingo (15) a maior temperatura da história do Distrito Federal: 37,3 °C. A sensação térmica era de 40 °C no momento. O antigo recorde era 36,4 °C, de outubro de 2015.
No mesmo horário, a umidade relativa do ar chegou a 11% no Gama – índice semelhante ao registrado em alguns dos locais mais áridos do mundo, como Wadi Halfa, no Sudão, no deserto do Saara, e Aoulef, na Argélia.
De acordo com a meteorologista Maria das Dores Azevedo, ainda não há previsão de mudanças climáticas. "A explicação para isso é a massa de ar seco e quente que se encontra aqui na região deixando o céu claro com névoa seca, muito sol e calor, além de temperaturas elevadas."
A baixa umidade do ar é considerada preocupante pela Organização Mundial de Saúde (OMS) pelos efeitos que provoca no organismo – desidratação, mal-estar, dificuldade de respiração, secamento de mucosas. Segundo o órgão, a umidade ideal é de 60%.
Por causa da seca, a Defesa Civil declarou estado de emergência na sexta-feira (13). A orientação é que a população suspenda a prática de atividades físicas e trabalho ao ar livre entre 10h e 17h, aumente a ingestão de líquidos, evite banhos demorados com água quente e muito sabonete, use protetor solar em abundância e umidifique o ambiente com aparelhos e toalhas molhadas.
Neste período, crianças e idosos devem receber atenção especial, pois são os mais afetados pelo clima seco.
Os índices entre 10% e 15% aproximam o DF da umidade registrada no deserto do Saara, na África. Segundo a Defesa Civil, a Organização Mundial de Saúde (OMS) entende como "ideal" uma medição de 60%.

Córregos 'secos'

Na sexta, a Caesb anunciou que vai interromper a captação de água em córregos de Brazlândia, Planaltina e Sobradinho. Com isso, as regiões terão o abastecimento comprometido em dias da semana ainda não especificados. A companhia disse que a medida é para “evitar falta de água em maior proporção”


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