Calor e seca A Estação de Águas Emendadas, em Planaltina, registrou no último domingo (15) a maior temperatura da história do Distrito Federal: 37,3 °C. A sensação térmica era de 40 °C no momento. O antigo recorde era 36,4 °C, de outubro de 2015. No mesmo horário, a umidade relativa do ar chegou a 11% no Gama – índice semelhante ao registrado em alguns dos locais mais áridos do mundo, como Wadi Halfa, no Sudão, no deserto do Saara, e Aoulef, na Argélia. De acordo com a meteorologista Maria das Dores Azevedo, ainda não há previsão de mudanças climáticas. "A explicação para isso é a massa de ar seco e quente que se encontra aqui na região deixando o céu claro com névoa seca, muito sol e calor, além de temperaturas elevadas." A baixa umidade do ar é considerada preocupante pela Organização Mundial de Saúde (OMS) pelos efeitos que provoca no organismo – desidratação, mal-estar, dificuldade de respiração, secamento de mucosas. Segundo o órgão, a umidade ideal é de 60%. Por causa da seca, a Defesa Civil declarou estado de emergência na sexta-feira (13). A orientação é que a população suspenda a prática de atividades físicas e trabalho ao ar livre entre 10h e 17h, aumente a ingestão de líquidos, evite banhos demorados com água quente e muito sabonete, use protetor solar em abundância e umidifique o ambiente com aparelhos e toalhas molhadas. Neste período, crianças e idosos devem receber atenção especial, pois são os mais afetados pelo clima seco. Os índices entre 10% e 15% aproximam o DF da umidade registrada no deserto do Saara, na África. Segundo a Defesa Civil, a Organização Mundial de Saúde (OMS) entende como "ideal" uma medição de 60%. Córregos 'secos' Na sexta, a Caesb anunciou que vai interromper a captação de água em córregos de Brazlândia, Planaltina e Sobradinho. Com isso, as regiões terão o abastecimento comprometido em dias da semana ainda não especificados. A companhia disse que a medida é para “evitar falta de água em maior proporção”

esquema financeiro da moeda virtual falsa Kriptacoin, que fez 40 mil vítimas no Distrito Federal e em Goiás e movimentou R$ 250 milhões em um semestre, usava um sistema intrincado de fraudes, estelionato e promessas de "dinheiro fácil". Ao longo de 40 páginas, a denúncia oferecida pelo Ministério Público do DF contra 16 suspeitos detalha os métodos adotados pelo grupo – e as "brechas" deixadas ao longo do processo.
O documento foi enviado à Justiça no fim de agosto, mas o teor completo estava sob sigilo. Na denúncia, o MP afirma que os operadores do esquema prometiam lucros de até "1% ao dia" sobre o capital investido – cerca de 55 vezes o rendimento médio da poupança e 30 vezes o rendimento de fundos de renda fixa, por exemplo.
A empresa Wall Street Corporate e a agência Kriptaexpress, criadas para "operar" os Kriptacoins, não tinham autorização e nem registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – que, aliás, ainda não tem regulamentação para moedas virtuais no país.
Isso não impediu os suspeitos de divulgarem os benefícios da moeda, que teria rentabilidade proveniente da "Bolsa de Wall Streett". Além do erro na grafia, a divulgação feita pelos associados escondia o fato de que a Bolsa de Nova York e as instituições da Wall Street ainda não aderiram formalmente a nenhuma criptomoeda.
Mesmo o Bitcoin e o Ethereum, mais famosos e de alcance mundial, ainda são tratados como "alto risco" por investidores tradicionais. Nas transações em criptomoeda, o dinheiro é enviado de uma carteira online para outra sem necessidade de um terceiro para "validar" ou "limpar" a operação.

CPF falso

Segundo a denúncia, pelo menos 3 dos 16 acusados de envolvimento no esquema usaram CPFs falsos para criar pessoas jurídicas e contas bancárias.
Uma das empresas fantasma, a Kripta Coin Investimentos em Tecnologia Ltda., tinha endereço declarado em Goiânia e capital social de R$ 1 milhão. Outra, a WSC Brazil Investimento em Tecnologia da Informação Eireli, tem capital de R$ 2 milhões.
O sistema de investigação de movimentações bancárias do Ministério Público Federal também mostrou, segundo a denúncia, que "grande parte dos valores aportados nas contas bancárias das empresas não eram utilizados para pagamento da rentabilidade prometida, mas distribuídos entre os líderes da organização (topo da pirâmide)".
Os pagamentos ao "baixo clero" eram feitos apenas de modo eventual, para algumas vítimas selecionadas, como forma de dar veracidade às promessas de lucro. Enquanto isso, bens de luxo eram comprados pelos suspeitos e ocultados "em nome de empresas e pessoas 'laranjas'".

Pirâmide financeira

Segundo a investigação, a operação proposta pela Kriptacoin se enquadra no crime financeiro conhecido como "esquema de pirâmide", ou "esquema Ponzi". Entre as características típicas desse tipo de mecanismo, o MP cita:
  • promessa de rendimentos estratosféricos;
  • pouca ou nenhuma informação sobre a empresa, sendo que as informações repassadas por meio de palestras, vídeos, etc;
  • comercialização de produto (moeda virtual) que requer conhecimentos técnicos específicos;
  • inexistência real de produto (apenas uma fachada para a pirâmide)
  • obtenção de comissão recebida também pelo recrutamento de novos associados – e não através de vendas para consumidores não participantes do esquema.
O esquema da Kriptacoin também é chamado de "pichardismo" na denúncia. O termo aparece na Lei dos Crimes Contra a Economia Popular, de 1951, e se refere à pirâmide que atinge um "número indeterminado" de pessoas – uma espécie de estelionato em larga escala. Nesse caso, a estimativa gira em torno de 40 mil vítimas em três anos.
Para entrar na Kriptacoin, o interessado deveria aderir a um entre três planos oferecidos. Em seguida, era incentivado a indicar novos adeptos, com a promessa de que receberia mais dinheiro conforme essas pessoas fossem entrando no "clube". Segundo o MP, esse funcionamento não era descrito nos contratos, por causa "da sua explícita ilicitude".


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