O país desenvolvido onde ter dupla nacionalidade virou dor de cabeça para os políticos

as últimas duas semanas, três senadores australianos tiveram de renunciar por um motivo inusitado: ao descobrir que tinham, além da australiana, outras cidadanias.
Os casos causaram grande consternação na Austrália - e uma corrida entre parlamentares, muitos deles nascidos em outros países, para verificar se tinham ou não dupla nacionalidade.
Tudo isso por causa de um esquecido artigo da Constituição, de 116 anos de idade, que proíbe qualquer pessoa com cidadania de outro país de se candidatar ao Parlamento.
A questão expôs a Austrália como nação de imigrantes. Muitos dos cidadãos australianos são filhos ou netos de estrangeiros, e muitos sequer nasceram na Austrália, como é o caso de 25 dos 226 parlamentares.
A chamada "crise da dupla cidadania" despertou críticas à classe política como um todo, pelo que foi visto como falta de atenção a um detalhe "básico" como esse. A classe política já estava sob fogo cerrado por causa de escândalos recentes ligados a falta de transparência na declaração de bens e de despesas oficiais de viagens.

Sucessão de acontecimentos

A situação abalou principalmente os Verdes, partido de bandeira ecológica que atualmente é a terceira maior bancada do Parlamento, após as duas agremiações que tradicionalmente dominam a política australiana, o Partido Liberal-Nacional, governista, e o Trabalhista, de oposição.
O primeiro caso de dupla cidadania surgiu em meados de julho, quando o senador verde Scott Ludlam, que se mudou da Nova Zelândia quando tinha três anos, de repente renunciou ao seu mandato no Parlamento.
Ele tinha sido alertado por um advogado que tinha descoberto sua dupla cidadania, já que Ludlam não havia renunciado formalmente à sua nacionalidade neozelandesa. O advogado, que trabalhava para um adversário político, ameaçara levar o caso à Alta Corte do país.
Imediatamente, muitos parlamentares resolveram averiguar suas situações. Pouco depois, veio a renúncia da senadora Larissa Walters, vice-líder dos Verdes. Walters, que ganhou manchetes no mundo inteiro pode ter sido a primeira pessoa a amamentar no Parlamento do país, descobriu que ainda era cidadã canadense - e que, consequentemente, isso a impediria de atuar no Parlamento australiano.

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