Como Aécio já não tem o governo do Estado de Minas Gerais, ele precisa do governo federal para compensar, para ter algo para oferecer para esse grupo que ele está formando. Então você tem um grupo que vai ficar muito coeso com o governo e que espera em troca receber cargos e verbas, que é o Centrão. BBC Brasil - Qual é a vantagem para o Centrão de abraçar Temer? Marcos Nobre - Pense que a eleição do ano que vem será feita sem doação empresarial e haverá limitação de doação de pessoa física. Logo, estar grudado no governo significa uma vantagem enorme: se por um lado tem que carregar um governo impopular, por outro você tem cargo e recurso, tem a máquina. E ter boas condições de campanha é essencial para se reeleger e conseguir manter o foro privilegiado, sem cair na mão do juiz Sergio Moro. Então o sistema funciona totalmente em autodefesa, já não tem mais nenhuma relação com representação. Então você de um lado disputa pelos recursos da máquina federal, e por outro disputa pelo fundo eleitoral novo, que vai ser criado pela reforma política (em tramitação no Congresso). É isso o que eles querem, o Centrão está parafraseando o Zagallo: "vocês vão ter que me engolir". Eles bloqueiam os recursos de qualquer partido novo e tem o monopólio da representação, para ser candidato você precisa estar em um desses partidos. BBC Brasil - Então é improvável que o Partido Novo ou a Rede consigam viabilizar seus candidatos em 2018? Marcos Nobre - Existe o imprevisível. Mas o que o sistema político inteiro está fazendo é impedir que o imprevisível aconteça. Todas as estratégias de bloqueio para que algo novo apareça estão em curso. Até o momento eles estão sendo muito eficientes. Porém, se você quer ser um candidato que tenha chance na eleição presidencial, você não pode entrar nesse esquema, se não você não tem chance.

o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello avaliou nesta quinta-feira (3) que a rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer dará em "mais estabilidade" ao Brasil. Ele deu a declaração após ser questionado sobre o assunto.
Nesta quarta (2), ao analisarem a denúncia da Procuradoria Geral da República contra Temer, pelo crime de corrupção passiva, os deputados rejeitaram o prosseguimento do processo para o Supremo Tribunal Federal por 263 votos a 227. O principal argumento dos aliados do presidente foi "pela estabilidade política e econômica".
"[A rejeição] traz, sem dúvida alguma, mais estabilidade ao país. É hora de nós pensarmos no país, é hora de nós pensarmos nos cidadãos em geral", afirmou Marco Aurélio Mello nesta quinta.
Para o ministro do STF, a decisão da Câmara foi "estritamente política" e, a essa altura, acrescentou, é preciso que as pessoas se preocupem com o Brasil, com a "correção de rumos" e com o "saneamento da situação econômico-financeira que reflete no social, com o desemprego em massa".
"Essa é que deve ser a preocupação maior. A alternância no poder deve ocorrer com o exaurimento do mandato, de quatro em quatro anos", acrescentou.
Se a denúncia contra Temer foi aprovada pela Câmara, seguiria para análise do Supremo. Na Corte, se a maioria aceitasse a acusação da PGR, o presidente, então, se tornaria réu e seria afastado do mandato por até seis meses. Nesse período, o país seria comandado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).


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