Após votação da denúncia, parte do PSB quer destituir a líder na Câmara

atitude da líder do PSB na Câmara, deputada Tereza Cristina (MS), durante a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer nesta quarta-feira (2) abriu um confronto na bancada do partido, inclusive com pedido para que ela seja destituída da liderança.
Na sessão em que a Câmara barrou o prosseguimento da denúncia por corrupção passiva, Tereza Cristina orientou os membros do PSB a votarem contra Temer, conforme decisão partidária. Mas ela própria votou a favor de Temer, para livrar o presidente de responder a processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em carta enviada à líder da sigla na véspera da votação, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, cobrou que ela orientasse a bancada a votar contra Temer ou que abrisse mão de falar pelo partido durante a sessão. O pedido seguia determinação da executiva do PSB, que decidiu se posicionar contra Temer.
A deputada optou por orientar a bancada como o partido havia determinado, mesmo que o voto individual dela fosse diferente. Na votação da denúncia, o PSB teve 22 votos a favor do prosseguimento do processo, 11 contrários e duas abstenções.
De acordo com o deputado Danilo Forte (PSB-CE), que, assim como Tereza, votou para barrar a denúncia, deputados do partido propuseram que a líder seja destituída.
“Correu uma lista para destituí-la, mas houve uma rebelião, inclusive dos que apoiaram a iniciativa de dar continuidade à denúncia”, disse.
O deputado disse que não concorda com o movimento de tirar a líder do posto. “Se a cada votação você quiser tirar o líder porque ele tem uma posição diferente, isso cria uma instabilidade muito grande”, afirmou.
Para Forte, que, junto com outros colegas, negocia a transferência para outro partido, o PSB saiu mais fraco da votação. Segundo ele, houve uma “ilusão” de que haveria grande mobilização social a favor da denúncia, o que acabou não ocorrendo, na opinião dele.
Em julho, o presidente Michel Temer procurou Tereza Cristina e, segundo ela, colocou o PMDB à disposição dos deputados do PSB. A ala insatisfeita do partido negocia uma possível migração para o DEM.

'Ilegitimada'

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), favorável à denúncia, afirmou que a bancada precisa “fazer algo” para que haja harmonia entre os deputados e o partido.
“A maioria da bancada, que ela [Tereza] representa, vota diferente da líder. Acho que tem alguém que está no lugar errado e tem que encontrar um caminho a seguir. O primeiro caminho é a questão do exercício da liderança”, disse.
“O fato de ela encaminhar pelo 'não' ao parecer e votar contra o que ela própria encaminhou a deixou ainda mais instável e ilegitimada”, completou.
Delgado reconhece que há uma articulação para destituir a líder, mas afirma que não se envolveu em nenhuma negociação desse tipo. “Eu não participei de articulação sobre isso ontem, mas acho que isso pode ser consequência para os próximos dias”, afirmou.
O deputado Paulo Foletto (PSB-ES) votou a favor da denúncia, mas é mais cauteloso sobre a situação da líder da bancada. Segundo ele, o partido vem enfrentando diversas situações de divergências entre membros.
“A Tereza acabou entrando nesse fogo cruzado”, disse. “O partido vai perder gente, acho que a Tereza e alguns colegas vão para outro caminho porque estão desambientados”, completou. Para ele, a deputada deve continuar na liderança até o fim do ano ou até a abertura de uma janela para troca de partido.
a deputada Tereza Cristina informou que não vai se pronunciar. Em nota divulgada após a votação, ela justificou que votou contra o prosseguimento da denúncia ao avaliar o impacto econômico que o afastamento de Temer poderia causar. Ela ressaltou que o presidente responderá na Justiça assim que terminar seu mandato.


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