líder do Frente Nacional francês, Marine Le Pen, será pela primeira vez deputada na Assembleia Nacional, após sua eleição neste domingo (18) nas legislativas, em que a extrema direita confirmou seu lugar na cena política. "Diante deste bloco que representa os interesses da oligarquia, somos a única força de resistência", disse Le Pen depois de anunciar que seu partido obteve pelo menos seis deputados, quatro a mais do que tem atualmente, nas eleições em que o partido do presidente Emmanuel Macron - A República em Marcha -, obteve uma confortável maioria absoluta. Derrotada por Macron no segundo turno das eleições presidenciais de maio, essa advogada de formação, de 48 anos, venceu no seu reduto de Henin-Beaumont (norte), antigo bastião socialista atingido pela desindustrialização e pelo desemprego. Nas eleições presidenciais, obteve mais de 60% dos votos na antiga cidade mineradora de 27.000 habitantes, com um programa anti-imigração e anti-União Europeia. Nacionalmente, obteve um resultado histórico no segundo turno dessas eleições (33,9%), embora na semana passada seu partido tenha sofrido um revés no primeiro turno das legislativas, com somente 13,2% dos votos em nível nacional, um pequeno retrocesso em relação a 2012. "Boa parte de nossos eleitores se absteve no primeiro turno, a metade não se mobilizou", estimou Le Pen, atribuindo isso ao voto majoritário, desfavorável aos pequenos partidos. Seu partido pretendia obter pelo menos 15 deputados, o que lhe teria permitido constituir um grupo na Assembleia. Liderança do partido A candidata sucedeu em 2011 seu pai, Jean-Marie Le Pen, na liderança do partido. A ambiciosa herdeira deu à formação fundada em 1972 uma imagem menos xenófoba e antissemita. Além disso, afastou os militantes mais radicais, como antissemitas, nostálgicos da Argélia francesa e católicos integristas. A estratégia funcionou, e a Frente Nacional começou a avançar nas eleições. Para tentar conquistar a presidência, Le Pen, que se descreve como "uma mulher de caráter às vezes abrupto", se esforçou para suavizar sua própria imagem, contando piadas sobre sua vida pessoal, publicando fotos com seus gatos ou aparecendo com cartazes com o slogan "França apaziguada".

Confirmando as previsões, o novo partido A República em Marcha, do presidente Emmanuel Macron, foi o grande vencedor das eleições legislativas francesas neste domingo (18), com 355 lugares dos 577 que compõem a Assembleia Nacional da França.
O conservador Os Republicanos foi o segundo mais votado com cerca de 125 cadeiras. O partido Socialista ficou com 49 cadeiras, seguido pelo de extrema direita Frente Nacional, da ex-candidata a presidência da França Marine Le Pen, com apenas 8 cadeiras.
Le Pen foi uma das deputadas eleitas de seu partido, segundo a AFP. No entanto, ela perdeu dois grandes aliados do partido que não conseguiram se eleger: Florian Philippot e Gilbert Collard, de acordo com a Reuters.
Os cerca de 47 milhões de eleitores convocados para o segundo turno da eleição legislativa francesa não se mobilizaram para o pleito. Menos da metade foi às urnas neste domingo, segundo o jornal "Le Monde". O levantamento divulgado por volta das 17h (no horário local) mostra que 35,33% compareceram às urnas, enquanto na semana passada 40,75% dos eleitores votaram.
As eleições acontecem novamente em meio a um forte esquema de segurança, com 50 mil agentes destacados em todo o país, já que a França permanece em estado de emergência desde a onda de atentados ao país de 2015.

Oposição

O coordernador da campanha do partido de direita Os Republicanos, François Baroin, se declarou hoje como "principal força opositora" ao presidentre Macron e anunciou uma "oposição firme" a suas políticas.
"Macron tem o conjunto de poderes. Lhe desejo boa sorte, mas nós conseguimos um grupo suficientemente importante para fazer escutar nossas demandas e convicções. Vamos deixar claro nossas diferenças, em especial, no aspecto fiscal", disse Baroin.
As pesquisas mostram que Os Republicanos terão entre 95 e 133 deputados na Assembleia Nacional, um de seus piores resultados, mas se converteram na segunda força parlamentária, pouco mais de um mês após seu candidato, François Fillon, ficar em terceiro nas eleições presidenciais.

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